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Ostentação e luxo

Lia-se, há dias, numa revista cor-de-rosa:Figura pública feminina de um canal de televisão nacional exibe, em festa temática do jet-set, visual de milhares de euros: vestido de 800 €, sapatos a rondar os 810 €, carteira de 525 a 585 €, óculos de sol de 100 € e carro de 59 mil a 108 mil €. E isto sem ter em conta os habituais adereços usados em tais circunstâncias, como jóias e lingerie.

Dinis Salgado
9 Jan 2013

O luxo e a ostentação são tão velhos como a humanidade e constituem fatores de afirmação, pessoal e cívica, inerentes à própria natureza humana. Muitas vezes, inclusive, são os elos mais fortes da promoção de oportunidades profissionais e sociais
Os exemplos abundam, na história dos homens, instituições e civilizações e bem o comprovam. Já na Grécia Antiga os atenienses construíam templos faustosos, estátuas deslumbrantes e pagavam enormes somas por festivais de teatro.
E o que pensar do rei-sol, Luís XIV de França, que fez de Versalhes o maior palácio do mundo ou dos czares russos com seus banquetes sumptuosos e a construção de monumentos admiráveis que ainda, hoje, nos fascinam? E até, nesta pequena casa lusitana, os nossos reis D. Manuel I e D. João V marcaram o gosto pela opulência e pela ostentação; aquele, mandando construir o Mosteiro dos Jerónimos e enviando ao Papa Leão X uma embaixada que se fazia acompanhar de pedrarias, jóias e tecidos raros e, até, de animais nunca vistos e este, com a construção do palácio e Mosteiro de Mafra e, igualmente, o envio ao Papa Clemente Xl de 15 ultraluxuosos coches, carregados de riquíssimas oferendas.
Modernamente, ouvimos falar de certos países árabes, onde a opulência abunda em hotéis de seis estrelas e nos palácios de emires e xeques, ornados de ouro, até nas louças sanitárias ou de angolanos endinheirados que demandam Lisboa, em jatos privados, para fazerem compras de luxo (jóias, vestuário, calçado, carteiras e carros).
E a praga de um certo novo-riquismo, sobretudo internacional, consente tais extravagâncias como: vestidos a 4,5 milhões de euros, sapatos a 390 mil €, carros vendidos por 27 milhões de euros, pochetes de senhora a 8 mil €, iates a 378 milhões de euros e, pasme-se, bifes a 273 €.
Ora a estas formas de ostentação e luxo nunca é alheia a existência, mesmo ao lado, da pobreza e da miséria das camadas sociais desprotegidas e frágeis. Direi mesmo que uma é sinónima da outra. Basta pensarmos que, pela apetência para a ostentação e para o luxo de certos governantes que este pobre país tem tido, passa muita da crise económico-financeira e social em que nos encontramos.
E como não se herdam só os campos nem as pontes, a megalomania de muitos desses nossos antepassados por aí tem campeado, na construção de centros culturais, estádios de futebol, autoestradas, piscinas, etc.etc.etc, que, num país pobre e carenciado como o nosso, mais não é do que uma forma bacoca, cretina e terceiro-mundista de ostentação da fraqueza e miséria nacionais. Sobretudo, revela uma insólita falta de responsabilidade, bom senso e sentido da realidade!
O que caso é para praguejar-mos:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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