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Jesus no Templo

Tenho à minha frente o livro “Jesus de Nazaré. A Infância de Jesus”, de Bento XVI e li os vários capítulos com apaixonado interesse. Quero fazer sobressair, em todos os seus escritos, a inteletualidade madura, libertadora e ajustada aos tempos que correm. Li os vários capítulos desta obra com satisfação. Parei no Epílogo – Jesus aos doze anos no Templo.

Benjamim Araújo
9 Jan 2013

À medida que, compassadamente, ia folheando o citado epílogo, o meu ávido apetite satisfazia-se em saborear, digerir e assimilar o sentido e a interpretação das passagens, que estão aqui à bica: Maria e José regressam ao Templo, ao encontro de Jesus; Maria pergunta e Jesus responde; o caminho até ao Templo, percorrido por Maria e por José; o Templo.
Não vertendo a minha atenção nos verídicos factos históricos, narrados por S. Lucas, vou, antes, caminhar pelos paralelos trilhos da simbologia.
Maria e José simbolizam, aqui e agora, na minha opinião, toda a concreta humanidade, cujo profundo e autêntico ser impõe, categórica e imperativamente, o dever de, pela vida fora, procurar, encontrar e trazer Deus para o íntimo do seu coração.
O caminho que Maria e José calcorrearam até chegarem ao Templo, simbolizo-o pelo nosso viver através dos tempos, com todas as boas e más alvoradas. Não sucumbiram ao rigor dos esforços, nem se deixaram vencer pelos obstáculos; não deram guarida aos desânimos e à fuga, nem se deixaram enredar e instrumentalizar pelas coisas agradáveis e apetitosas. Não se desviaram do caminho que leva ao Templo, onde Jesus dialogava com os Doutores da Lei. Toda esta esforçada conduta se pode ajustar, sem cair em lirismos, à humanidade inteira.
A ausência passageira de Jesus do convívio com os pais, eu a simbolizo na necessidade de tudo superar, em Deus, seu Pai. A mesma atitude de superação se pode deslocar para todo o homem concreto, que vive nesta vida, ladeado pelo tempo e pelo espaço, preso à dor e ao prazer, à esperança e desespero em ordem à sua salvação em Deus.
O que é o Templo? Simbolizo-O deste modo: o Templo, onde Jesus ouvia e dialogava, é o seu autêntico e profundo ser, uno na sua corporalidade divinizada. Todos os seus conhecimentos intuitivos e imediatos procediam desta fonte, a fonte da sabedoria, da paz, do amor, da vida. Vou, agora, deslocar o Templo para a unicidade da nossa natureza ôntica, geradora das nossas potencialidades ativas, pelo poderoso ser de Deus, potencialidades que se desdobram em vida, amor, paz ? em tudo semelhantes às de Deus.
Colhi tudo isto em “Jesus aos doze anos no Templo”.




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