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A CEJ na garagem da política

As declarações de Ricardo Rio a propósito da Capital Europeia da Juventude causaram alguma polémica e serviram logo para incendiar um pouco as hostes políticas desta nossa urbe, neste início de ano de eleições autárquicas. Ora, em tudo na vida há que tentar analisar as coisas em perspectiva, pelo menos eu tento fazê-lo. A verdade é que, em meu entender, o erro de Rio não é propriamente um erro de conteúdo, pelo menos na sua globalidade, mas antes um erro de forma e de timing.

Ramiro Brito
9 Jan 2013

A Capital Europeia da Juventude teve momentos interessantes e de grande valia para a cidade, teve eventos singulares e que mobilizaram, em determinados momentos, a cidade como não é normal acontecer. Não sei bem se essa mobilização se estendeu aos padrões internacionais como é apregoado pela comissão que geriu este ano da Juventude em Braga, não estou tão certo quanto à oportunidade de todas as iniciativas, muito menos quanto à sua envolvência social ao nível da juventude.
Mas comecemos pelos pontos positivos. A sessão de abertura (apesar da chuva), a noite branca e o encerramento foram sem margem de dúvida, eventos de grande dimensão e com uma envolvência muito grande na cidade, arrisco a dizer, como nunca havia sido vista. Quanto a isto não me restam dúvidas. Braga beneficiou claramente com a revitalização de espaços junto à zona da Sé de Braga e zona histórica, trazendo uma vida que anteriormente não existia e criando ali pólos de interesse outrora inexistentes. Também é verdade.
Do ponto de vista das conferências e iniciativas da perspectiva cultural ou relacionadas com o conhecimento não me parece que tenham sido alcançados grandes progressos ou que tenha existido qualquer legado para a cidade ou para os jovens. Claramente a iniciativa dos “caixotes” que povoavam a cidade volta e meia parece-me despropositada e sem nenhum interesse de qualquer perspectiva. O edifício que anteriormente albergava o comando da GNR corre o sério risco de ser um novo elefante branco na cidade e até hoje não foi devidamente explicado para que vai servir, em que modelo vai ser gerido e quem vai pagar as faturas. A ver vamos, deveremos dar o benefício da dúvida.
Acho que faltou a Braga, essencialmente, algo marcante, algo que pudesse ser lembrado e usado como cartão de visita da cidade durante os próximos anos, algo que fosse realmente distintivo das festas muito bem organizadas e de grande impacto que existiram, que foram até muito importantes para a economia local num ano particularmente difícil e que mobilizaram em três momentos a cidade como nunca o havia sido. Mas não chega para uma Capital Europeia da Juventude… esperava-se mais, com os mesmos recursos mas mais…se calhar uma melhor racionalização de recursos teria dado melhores frutos.
No que se refere à comissão em si, seria hipocrisia da minha parte dizer que entendi e percebi as escolhas dos seus elementos do ponto de vista técnico e operacional. Não percebi. Sinceramente não eram pessoas, salvo duas exceções, com provas dadas neste tipo de organizações, ou noutra atividade qualquer. Não sei se eram todos ou não da JS, se eram ou não mimados, sei que não eram pessoas com curriculum que justificasse a sua escolha… de facto, pareceu mais oportunidade política e gestão de recursos humanos oriundos da política do que uma preocupação com o contributo que poderiam dar a esta iniciativa fruto das suas competências ou know how. Julgo também que Ricardo Rio e a coligação deveriam ter-se pronunciado desde o início sobre esta matéria e ter tido um papel mais ativo e até interventivo para sustentar a sua posição de agora que dá mais a imagem de mera crítica de agenda política.
Festas de garagem parece-me abusivo e despropositado, porque foram realmente de grande impacto na cidade e que tudo têm a ver com juventude… a critica não me parece que passe por aí.




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