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Dinheiro há!

A notícia de que o BANIF recorreu ao Fundo de Capitalização da Banca, tendo recebido uma injeção de (ao que se conhece) 1100 milhões de euros (mas já se anunciando novas linhas de financiamento), permite uma leitura imediata. Ao contrário do que nos últimos meses nos têm tentado vender, com ladaínhas de que o país não pode, de que o país não tem, de que não haverá dinheiro para salários e para reformas, se os trabalhadores e o povo não aceitarem mais e mais sacrifícios, afinal sempre há dinheiro.

João Frazão
8 Jan 2013

Recordemos a história. Primeiro meteram milhares de milhões de euros no buraco sem fundo do BPN. Enquanto isso diziam-nos que, se não aceitássemos o Pacto de Agressão que PS, PSD e CDS-PP assinaram com a troika estrangeira, o país não aguentaria, seria a bancarrota iminente. Só o BPN custará ao país mais de sete mil milhões de euros!
Depois entregaram ao BCP mais 3,5 mil milhões de euros, para de seguida nos dizerem que tinham que agravar as medidas de austeridade, para garantir o cumprimento dos compromissos assumidos anteriormente.
No percurso, ainda alavancaram o BPI (que é gerido pelo tal senhor Ulrich, que diz que o povo português aguenta mais medidas de austeridade, ai aguenta, aguenta!) com uns meros 1500 milhões  de euros.
Agora, ao mesmo tempo que nos dizem que é preciso cortar mais 4000 milhões de euros nas funções sociais do Estado, ou seja na saúde, na educação, na segurança social, pela razão de sempre de que o país não tem dinheiro, de que não podemos viver acima das nossas possibilidades, de que é preciso controlar o défice, de novo apresentam como normal, como natural, que os contribuintes – esses malandros, geralmente incumpridores – entreguem a um banco privado uns módicos 1100 milhões de euros.
Não se leia aqui (apenas porque não é isso que aqui se diz) que temos alguma coisa contra os bancos. Apenas temos contra que, durante anos, tenham vivido à tripa forra, tenham lucrado milhões e milhões, que distribuí-
ram generosamente pelos seus accionistas, para agora virem pedir a todos que paguem as suas opções e jogatanas.
Apenas nos indignamos face aos que, repetindo à exaustão o paleio de elogio da iniciativa privada, e da necessidade de menos Estado, assim que a coisa corre mal, saltam no colo do Estado para os socorrer e financiar.
Apenas denunciamos que há no país milhares de pequenas e médias que não têm qualquer acesso ao crédito, empresas que poderiam produzir, que têm que recusar encomendas por não poderem garantir investimentos iniciais alguns de pouca monta, com a banca a exigir garantias e mais garantias e juros milionários, porque, já se sabe, não há dinheiro disponível, mas de repente aparecem milhares de milhões de euros para a mesma banca.
Apenas assinalamos que não deixaremos, nem por um dia somente, de gritar contra mais e mais sacrifícios para quem trabalha, contra o roubo nos salários e nas pensões, contra o brutal aumento de impostos, que, percebe-se facilmente, são para entregar diretamente ao capital financeiro nacional e estrangeiro.
Face a estes valores escandalosos, como é possível que o Governo e a direita parlamentar venham cortar nos apoios às famílias mais carenciadas e, numa altura de tanto desemprego, pobreza e miséria, exigindo moralização e trabalho à borla? Repare–se que 1100 milhões de euros é o triplo, repete-se, o triplo, do que o Estado Português esperava gastar em todo o ano de 2012 com o Rendimento Social de Inserção, que apoiou cerca de 330 mil famílias!
1100 milhões de euros é mais do que o corte de 700 milhões de euros que o setor da Educação sofreu no Orçamento do Estado de 2013. 1100 milhões de euros é metade do imposto extraordinário que o Governo PSD/CDS nos impuseram para este ano.
O que se poderá dizer, é que, ao que é visível, houve de facto quem vivesse acima das suas possibilidades. A banca portuguesa, no que é acompanhada pelas suas congéneres de todo o mundo, terá tido mais olhos que barriga e gastou o que não tinha. Mas para esses não há austeridade, não há sacrifícios, não há falta de dinheiro. Para esses o dinheiro escorre como um rio.
Posto isto, pode-se perguntar, mas podíamos deixar falir os bancos? Uns sim, outros não. Mas se o Estado lá tem que colocar o dinheiro que é de quem trabalha e cria riqueza, então, como há muito dizemos, nacionalize-se a banca comercial e coloque-se ao serviço da economia portuguesa.
Mas isso tem que ser com outra política e outro governo. Com uma política patriótica e de esquerda.
Que haveremos de conquistar com a luta!




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