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2013: que perspetivas?

Estas vão do cinzento, cinzento-escuro e negro. Colorido? Só para os mais ricos e aqueles que trabalham para as empresas públicas a troco de chorudos salários só para fazerem o que lhes compete. E, isso, todos fazemos. O que está a transtornar este país, mais uma vez, são as diferenças sociais (entre os pobres e os ricos cujo abismo é cada vez maior). E não é só no nosso país mas em todos aqueles onde ainda está enraizada toda uma mentalidade medieval.

Maria de Fátima Nascimento
8 Jan 2013

Os países (poucos) onde isso não acontece, não têm problemas financeiros, dívidas exteriores nem mal-estar social. São países onde todos se sentem bem, os mais ricos inclusive, uma vez que esse bem-estar é geral. Ninguém gosta de viver num país onde a miséria predomina. Nós estamos em vias de nos transformarmos num desses países desagradáveis, onde de um lado estão as construções típicas, retratos atípicos de uma humanidade de contradições, dos mais ricos e, do outro, dos mais pobres. Pior do que esta perspetiva: estamos a afundar-nos enquanto país, devidos a sucessivos governos incapazes de levar a fundo uma reforma capaz de solucionar todos os problemas reais do país. Estes mais uma vez foram ignorados e os problemas de ontem continuam a ser os de hoje e preparam-se para ser os de amanhã. Por este andar, estamos no terceiro milénio com os mesmos problemas do século dezanove. Com tantas estratégias e objetivos capazes de poderem tornar este país num grande pequeno país, estamos a este pequeno país ainda mais ínfimos em todos os aspetos. E temos um povo capaz de fazer tanto como os outros e tão bem como eles. O que não temos é governante à altura. Nunca tivemos! Geralmente, quem vai para a política vai pelas razões erradas, embora, à partida, pareçam mobilizados por uma ideologia benigna. E talvez assim aconteça no início, mas parece não fomentar. Sabem o que acontece a uma maçã podre junto de outras sãs? As outras acabam por apodrecer por contaminação. Assim parece ser na política. Só que a proporção parece invertida. Quantas vezes, vimos pes-
soas testemunhas dos mais variados abusos, financeiros incluídos, denunciaram-nos e saíram demarcando-se de uma tendência habitual e que acabaram por ser atacados pessoalmente, no sentido de lhes retirar todo o crédito, profissional e pessoal? Assim, é claro, que não vamos a lado nenhum. Nem nunca iremos. E este cancro político já está enraizado desde o tempo da monarquia, quando um rei português, numa carta a um seu conhecido ou parente, se queixa do cancro da corrupção política e se sente incapaz de travar tal mal. Resta-me desejar-vos, para 2013, querido povo português, e gente de boa vontade, que tudo quando planeais se torne realidade. E que os que têm possibilidades de tornar este país maior, não cessem de tentar, pois são esses – os de boa vontade (não os mascarados) – aqueles que, num trabalho consciente e perseverante – conseguem levar o país para a frente. Não temos de aumentar as exportações? Por que não exportar os políticos e os executivos corruptos? Enriqueceríamos depressa se o fizéssemos ou empobreceríamos ainda mais porque ninguém os quereria. Já têm os deles! É uma raça que toda a gente parece querer dispensar.




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