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Sem futurologia para 2013

O ano começa e tudo recomeça tal qual como tínhamos deixado de véspera, com os anunciados sacrifícios para todos e uma Incerteza quanto ao cumprimento do OE, aprovado há dias pelo sr. Presidente da República. Sem orçamento não se podia governar legalmente. Sem precisar de fazer futurologia, o PS vai ter nas suas mãos o futuro do país. Ou porque chegue a ser o próximo governo, ou porque tenha de se refrear quanto à queda do atual governo. Receio que o PS tenha pressa em ser governo. A prudência e o saber de experiência feitos aconselham que a sede não se mata com a sofreguidão.

Paulo Fafe
7 Jan 2013

É preciso pensar que ainda está muito viva a desastrosa governação socrática; para o PS ser governo teria de haver eleições antecipadas, antecedidas de uma crise política que de todo ninguém deseja. Há que atender ao eleitorado que se interroga, e fortemente, que faria o PS de diferente se chegasse agora ao poder; numa conjuntura de manta curta em que se encontram as finanças e a economia portuguesas, com compromissos assumidos que têm de ser honrados, como se comportaria o PS?  A sociedade portuguesa, maioritariamente, já só vota gestão. Quem melhor governar Portugal mais votos terá. E isto compreende-se porque a melhor governação dá melhor nível de vida. Vão longe os tempos das ideologias partidárias. Quem manda agora é o automóvel, a casa própria, as férias e o frigorífico. Cansaram-se dos discursos ideológicos dos políticos desprestigiados com as promessas nunca cumpridas e ridicularizados com as demagogias balofas. O divórcio é evidente. Dantes ainda se ironizava com os políticos, agora nem isso. Há um apagão. Não há morte maior que a indiferença. O único ideal que prevalece bem vivo  em todos os portugueses, é a democracia. A essência desta ideologia dominante na sociedade portuguesa, identifica-se com direitos, liberdades e garantias pessoais. As eleições autárquicas vão ter influência na política nacional? Têm sempre alguns reflexos, como se tem verificado ao longo desta democracia, ainda que com as caraterísticas de escolher os “homens bons da terra” possa ser difícil fazer extrapolações nacionais. Penso que não passará por aqui a decisão de derrube do governo. O PS, no entanto, vai queimar a coligação atual em fogo brando, como politicamente lhe compete: discursos de mal dizer, aproveitamento de descontentamentos sociais, propostas ideais, quando não utópicas, aproveitamento de deslizes governamentais, enfim todo o somatório da roupagem  política; mas cuidado com o bacalhau a pataco. Para meados de 2014, o PS tentará acelerar a queda da coligação, forçando eleições antecipadas. Pode ser que nesse ano o barco já navegue sem muita água a bordo. E então a governação já será apetecível e realizável. Mas se Portugal, até lá, tiver assegurada a taxa de 10 a 15% de IRC facilitando, assim, o investimento estrangeiro, se voltar aos mercados de capitais, como se espera já em 2013, se despedir a Troika, (que vá e não volte) como se deseja, se continuar a exportar  mais e a importar menos, a coisa pode mudar de figura e do nevoeiro sair “D. Sebastião”. Os ses são muitos. Por isso é que governar agora é difícil. E isto pode vir a dar-se, segundo os especialistas analíticos destas matérias, a partir de junho de 2013. Será lento em sinais e lento em resultados palpáveis. Ora depois vêm os meses de férias com os portugueses a divertem-se mais e a ralarem-se menos com os assuntos políticos e pode muito bem chegarmos a 2015 com o atual governo em alta. Isto atemoriza o PS e com razão. Quem lê sinais não faz futurologia, apenas constata.




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