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O Presidente e a BragaCEJ2012

Braga foi a cidade escolhida para acolher o título de Capital Europeia da Juventude no ano de 2012 (BragaCEJ2012), honra que deveria ser impulso para os jovens acreditarem em si, no seu papel como agentes da cidade, participando ativamente na vida de Braga. Se o balanço final converge na opinião de que o maior “motor” da BragaCEJ2012 foram as associações e entidades que dinamizam jovens, seria lícito pensar que tal dinamismo era fruto das políticas juvenis concertadas e estruturantes do município de Braga.

Ricardo Pereira da Silva
7 Jan 2013

Apesar do grande suporte financeiro da BragaCEJ2012 ter vindo do Município de Braga, que adiantou faseadamente verbas para a sua concretização, a mesma entidade não funcionou como o suporte basilar de uma equipa, nem tão pouco como bálsamo anímico junto das associações.
Na verdade, a ausência do Presidente da Câmara Municipal de Braga (CMB), em muitas das ações da BragaCEJ2012, além do desrespeito para com o trabalho da equipa que chefia, leva-nos a crer que Braga só obteve tal reconhecimento graças à vontade de parte dos elementos do executivo camarário (talvez com vontade de provar algo aos seniores do partido a que pertencem, ou com real vontade de implementar uma nova forma de fazer política em Braga).
A ausência do presidente da CMB em momentos chave, como no dia 7 de janeiro, aquando da apresentação do Programa da BragaCEJ2012, ou no dia 14, na cerimónia de abertura, parece sintomática de uma vontade inexistente em querer apoiar a realização do evento.
Aceitando que o Sr. Presidente não poderia estar em todas as atividades (nem tão pouco se lhe pedia isso), tornava-se necessário dar um sinal aos jovens de que o exemplo de confiança vem de cima. Ao Sr. Presidente competia-lhe estar não só, presencialmente, nas datas supracitadas, como também no dia 12 de agosto – Dia Internacional da Juventude e, claro está, na cerimónia “A Porta Fica Aberta”, encerrando um ano de atividades.
Não bastava deambular pela cidade na “Noite Branca” ou aparecer em algumas (poucas) iniciativas como o leilão do prédio ou quando da visita da Comissão de Cultura e Educação do Parlamento Europeu, para dizer que acreditou na BragaCEJ2012.
Era necessário que o Sr. Presidente mostrasse que acreditava nos jovens, que acreditava que esta geração tem a responsabilidade de se preparar para o futuro e tem o direito à cidade e à sua participação. Fica para a História de Braga a recusa à participação e a ingestão democrática, quando o Sr. Presidente afirmou, a propósito de uma polémica sobre a Regeneração Urbana, que o “Município não recebe lições de ninguém”.
Afinal, em que acredita o nosso Presidente? Afinal, quais são as políticas estruturantes do município na área da juventude? Afinal, que sinal pretendeu o nosso Presidente mostrar à cidade com a sua ausência nos momentos capitais da BragaCEJ2012?
Por ser o seu último ano de mandato, isso não significa alhear-se das responsabilidades que os cidadãos depositaram nele. Não pode, em ano de pré-eleições, confiar que a sua representação se faz a partir de possíveis candidatos à cadeira do município, quase como delegando dinasticamente o poder. Não é justo, nem é lícito fazer isso aos bracarenses.
Lembrando que o Sr. Presidente em exercício foi eleito, pela primeira vez, para chefiar os destinos de Braga com menos de trinta anos – um jovem, portanto – deveria estar mais consciente do valor dos jovens dentro da cidade e da sociedade.
Se “Todos Somos Braga”, então deveria ser o Sr. Presidente o primeiro, a partir dos Paços do Município, a acreditar no lema da BragaCEJ2012, envolvendo os jovens e transmitindo-lhes o gosto de viver na cidade de Braga. É bom, ou não, viver em Braga?




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