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“Caridadezinha”

Paula Nogueira, no Diário do Minho de 22 de dezembro passado, acusa Ricardo Rio de brincar à caridadezinha, oferecendo presentes a crianças carenciadas. Devo confessar que não conheço pessoalmente os dois cidadãos nem estou enfeudado a nenhum partido político. Mas senti-me atingido, porque também eu gosto de oferecer algo que alegre crianças carenciadas. Admito que a caridade (sinónimo de Amor – sim, com letra grande) seja muito melhor do que a caridadezinha, mas nem todos têm essa capacidade ou coragem para a praticar.

Cândido Morais
6 Jan 2013

De qualquer modo, não compreendo que alguém possa ser criticado por fazer o bem. Bem pior é fazer o mal ou mesmo a indiferença. Recordo, a propósito, o pensamento do historiador Ian Kershaw: «A estrada de Auschwitz foi construída pelo ódio, mas o seu pavimento foi a indiferença».
Faço um parêntesis para lembrar que, perante a nossa indiferença, são mortos em cada ano cerca de cem mil seres humanos apenas por serem cristãos. Vítimas sobretudo do comunismo e do islamismo.
Infelizmente, além da indiferença, respira-se muito ódio por cá. Semeado também pelos políticos de cara dura, sempre zangados, que se manifestam agressivamente de punho fechado.
Mas Paula Nogueira acusa ainda Ricardo Rio de «apoiar e suportar a enxurrada governamental de medidas que têm contribuí-
do para o aumento do desemprego, da pobreza, da desproteção social, da exclusão».
Admito que este Governo pudesse fazer melhor do que tem feito – não tenho elementos suficientes para fazer tal julgamento. Suponho mesmo que quem manda em Portugal são os nossos credores. E é fatual que estes foram chamados pelo Partido Socialista porque, ao fim de seis anos de (des)governo se mostrou incapaz de resolver os problemas por si mesmo criados. Pela terceira vez (já tinha acontecido em 1978 e em 1983) ficou provada a incompetência governativa do PS.
São ainda factos, relacionados com esses seis anos, o brutal aumento da dívida pública (cujos juros nos asfixiam), a subida do desemprego (de 6,7 em 2005 para 12,6% em 2011), o segundo menor crescimento económico da UE e a maior desigualdade da Europa (pior do que nós, na OCDE, só a Turquia e o México)!
Estes dados constam do Eurostat, não são invenções! Gosto de analisar as causas porque não há consequências sem causas.
As críticas devem portanto ser feitas a quem criou a situação e não a quem tenta resolvê-la. Seria como condenar os bombeiros em vez dos causadores do incêndio!




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