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Solenidade da Epifania do Senhor

A palavra Epifania tem a sua origem num termo grego que significa “manifestação”. A Igreja celebra a manifestação de Deus Encarnado a todos os povos, representados pelos Magos que procurando Jesus O adoram (Mt 2, 1). Os Magos que vieram do Oriente, representam toda a humanidade de coração e de olhar puro que, sabe ler os sinais de Deus, sejam eles a estrela que desponta ou o sonho, uma e outro indicadores de caminhos novos, insuspeitados. Surpresa das surpresas: até para casa precisamos de aprender o caminho, pois é, na verdade, um caminho novo!.

Maria Fernanda Barroca
5 Jan 2013

De resto, já sabemos que, na Escritura, a Luz nova que no céu desponta e o Rebento tenro que entre nós germina, apontam e são figura do Messias. A estrela que arde nos olhos e no coração dos Magos está, portanto, longe de ser uma história infantil. Orienta os passos dos Magos e, neles, os de toda humanidade para a verdadeira estrela que desponta e para o rebento que germina, que é o Menino que vêm adorar. Esta «adoração» pessoal é o verdadeiro presente a oferecer ao Menino.
Diz o texto de Mateus que os Magos ofereceram o ouro, incenso e mirra. Já sabemos que, desde Ireneu de Lion (130-203), mas entenda-se bem que isto é secundário: o ouro simboliza a realeza, o incenso a divindade, e a mirra a morte e a sepultura.
 Pode acrescentar-se, mas ainda, claramente secundário, que muitos astrónomos e historiadores se têm esforçado por identificar aquela estrela que despontou e guiou os Magos, apresentando como hipóteses mais viáveis: a) o cometa Halley, que se fez ver em 12-
-11 a. C; b) a tríplice conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes, ocorrida em 7 a. C; c) uma nova ou super nova, visível em 5-4 a. C. Esta última está registada nos observatórios astronómicos chineses. A conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes está registada nos observatórios da Babilónia e do Egipto. Johannes Kepler (1571-
-1630), que estudou este assunto em pormenor, dedica particular atenção aos fenómenos registados em b) e c).
Ilustra bem o texto do Evangelho de Mateus o texto de Isaías 60,1-6, que canta Jerusalém personificada como mãe extremosa que vê chegar dos quatro pontos cardeais os seus filhos e filhas perdidos nos exílios de todos os tempos e lugares. Também não falta a luz que desponta e os muitos presentes, os tais fios que se vão juntar no Evangelho de hoje.
 Também os versos do Salmo Real 72 (71) cantam a mesma melodia de alegria que se insinua no coração de toda a humanidade maravilhada com a presença de Rei tão carinhoso. Também aqui encontramos a hiperbólica «idade do ouro», o grão que cresce mesmo no cimo das colinas, e a felicidade dos pobres, que serão sempre os melhores «clientes» de Deus. Extraordinária condensação da esperança da nossa humanidade à deriva.
O Apóstolo Paulo (Efésios 3,2-3 e 5-6) faz saber, para espanto, maravilha e alegria nossa, que os pagãos são co-herdeiros e comparticipantes da Promessa de Deus em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.
Mas falta dizer que, no meio de tanta Luz, Presentes e Alegria para todos, vindos da Epifania, que significa manifestação de Deus entre nós e para nós, não podemos hoje esquecer as crianças e a missão. Hoje celebra-se o «Dia da Infância Missionária», que gosto de ver sempre envolta no belo lema: «O Evangelho viaja sem passaporte». Para significar que o Evangelho nos faz verdadeiramente filhos e irmãos. E entre filhos e irmãos não deve haver fronteiras, nem barreiras, nem muros ou qualquer separação.




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