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A governar num revolto mar de palpites e contestações

Há uma onda a varrer o país que mais se assemelha a um “tsunami”, de críticas, com que é contemplado o Governo. Na verdade não se lê, nem se ouve outra coisa, senão uma série de “vagas” de acérrima contestação, sobretudo ao Primeiro-ministro, dada a política impopular de austeridade que vem implementando, traduzida em sacrifícios para os cidadãos. E dizer mal do executivo, hoje, é estar na crista da onda da política, em relação a tudo aquilo em que se proponha mexer, como sejam as reformas, vendas e privatizações.

Narciso Mendes
5 Jan 2013

A onda vai crescendo na medida em que vão aparecendo destacadas figuras da vida portuguesa a fustigar, com uma chuva de reprovações, o timoneiro desta autêntica “jangada” em que todos estamos embarcados, reprovando a rota da sua navegação governativa. E desde o Dr. Mário Soares, passando pelo setor eclesiás-
tico, de alguns bispos da Igreja Católica, (preocupados com o índice elevado de pobreza), a toda a oposição, incluindo destacados elementos afetos aos partidos da coligação governamental, vão lançando fortes avisos à navegação sobre o risco de eminente naufrágio e o consequente afogamento da esperança que nos vai restando.
Das duas uma: ou é ponto assente que, outrora, andamos a gastar o que tinhamos, ou não, endividando-nos, devido a políticas erradas que os socialistas adotaram na legislatura anterior, sendo, por esse motivo, necessárias estas medidas de cariz austero ou, afinal, quererão dizer-
-nos que tudo isto não tem passado de um embuste, qual cabo das tormentas, com que procuram amedrontar-nos, o que vai aproveitando, de certa forma, aos nostálgicos do esbanjamento, saudosistas de gastos supérfluos e daqueles altos negócios como sendo planos de criação de riqueza e emprego, sem capital, rumo ao colapso nacional. A não ser que, alguns daqueles que vão dando palpites sobre a governação nos andem a entreter para que quem vier a seguir implemente novas medidas, penalizantes, atirando as culpas, como vem sendo hábito, para o Governo anterior.
É que, ao que parece, ninguém anda a falar verdade aos portugueses, a quem andam a passar um atestado de “mentecaptos”, ou de marujos de água doce quando lhes dizem, por um lado, que o país tem de seguir as coordenadas da “Troika, para sermos respeitados lá fora ou seja o que for e, por outro, afirmam que deve ignorá-las. A isto chama-se: descredibilização dos políticos. E as palavras do patriarca Soares, que já ninguém leva a sério, mais parecem o piar de uma gaivota a lembrar-nos a maré baixa da sua governação em que e perante as exigências do F.M.I., meteu o seu socialismo na gaveta. É por isso que, estas movediças areias partidárias da imoralidade, parcialidade e da hipocrisia, vêm assoreando os canais da confiança que nos deveria merecer o regime, qual caravela a necessitar de velas novas, enfunadas por fortes ventos de verdade e de justiça, que dessem verdadeiro sentido à democracia.
Ora, se o Governo prossegue o rumo, que muitos apontam de catastrófico, considerando que Passos Coelho não está a dar conta do recado e António José Seguro ainda não está preparado para governar, apenas restará ao Presidente da República reunir, de novo, com os conselheiros de Estado, para chegarem a um consenso quanto a um governo, de iniciativa presidencial, que procure levar Portugal a bom porto. E nem necessitará de remar muito para encontrar os homens do leme, bastando que, para isso, os procure na “quadratura do círculo”, no “eixo do mal” ou nos “frente a frente” televisivos. De entre essa gente que tão bem fala e mal diz formariam, provavelmente, uma equipe de arrojados tripulantes bem capazes de pôr em prática toda a sua teoria, o que sossegaria os cidadãos. Bastando que, para isso digam, claramente ao povo português, onde arranjarão os financiamentos para o crescimento económico e o emprego, a fim de que o mexilhão do cidadão não sofra mais com tanto mar de trapalhões a bater na rocha da sua subsistência, por tanta mentira pegada.




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