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Outro Ponto de Vista…

Medina Carreira com lucidez vai afirmando que a sociedade portuguesa está a deslaçar-se. Ninguém sabe o que vai acontecer daqui a um ano. A pobreza é confrangedora, a toda a hora há gente a cair na pobreza, a classe média está a desaparecer. Todavia, o politicamente correto remete-nos para que concordemos que o esforço para com o País deve ser proporcional aos rendimentos.

Acácio de Brito
4 Jan 2013

Não obstante, por força de falta de memória, remetemos para as calendas que a maior parte das vezes os rendimentos, são por princípio, proporcionais ao esforço e ao valor de cada um.
Lamentavelmente, este Governo abandonou completamente qualquer política social para a classe média.
Erro crasso porque é a classe média que assegura a prosperidade e a mobilidade de uma sociedade.
A classe média devia estar no âmago de qualquer política, até porque as famílias são o seu centro.
Quando a classe média prospera, ajuda a sociedade no seu todo a avançar.
A atual fraqueza da nossa sociedade, e a causa do pessimismo generalizado, decorre também do facto de, atualmente, a classe média ter perdido quase tanto a esperança quanto os mais desfavorecidos.
Suficientemente rica para pagar impostos (vítima de confisco, mesmo de estupro fiscal) e não, ainda, suficientemente pobre para receber subsídios, a nossa classe média enfrenta vários problemas: a insegurança laboral, a queda do poder de compra, a falta de habitação a preço condignos, o ensino em geral e as oportunidades para os filhos.
Tudo junto, leva a uma perda de confiança no futuro!
Contudo, às pessoas da classe média é exigido que sejam mais e mais qualificadas, não obstante, não sentem estar a ascender económica e socialmente, antes pelo contrário.
Quando a classe média está estagnada, toda a sociedade fica paralisada.
Os que estão na base da pirâmide social poucas esperanças têm de subir e aparecem enormes desigualdades entre os ricos e todos cuja situação específica não só não melhora como, muitas vezes, regride.
Entendo que a sociedade deve ser solidária, evitando fraturas sociais de todo desejáveis.
Mas basear um projeto político, governamental, na parte menos dinâmica da sociedade, não é propriamente a forma de criar o ímpeto necessário para mobilizar a sociedade para seguir em frente.
O ponto crucial de todos os programas deve ser a classe média, na sua valorização, até porque nos últimos anos com a diminuição relativa da nossa riqueza, recusámo-nos a fazer escolhas.
Ao prometermos tudo a toda a gente, no fim acabámos por não ajudar ninguém.
A proposta deve passar pela adoção de um programa social, baseando-se na solidariedade e na coesão, ajudando os mais fracos da sociedade e restaurando a confiança e esperança entre a classe média.
E, no entanto, temos para aí uns papagaios que anunciam que tudo vai bem.
Pois! O sujeito que caiu da Torre dos Clérigos antes de se estatelar no chão, também ele a meio da queda olhou para um lado, olhou para outro, e também disse: “até aqui está tudo bem”.




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