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Clube (e grupo) de deputados mortos

Não creio que haja exceções: aos portugueses já não ilude a classe política que temos. Há necessidade absoluta de serem substituídos, remendados ou rechapados. O próprio senhor Bispo D. Manuel Martins, por outras palavras fez essa afirmação, acrescentando que “quem governa não está à altura” dos gravosos acontecimentos que o país suporta.

Artur Soares
4 Jan 2013

A democracia e a economia portuguesa estão doentes. Medicamentos para tal já não fazem efeito, injeções também não. Apenas resta a operação urgente: irradiar incompetentes, oportunistas e fomentar caça acérrima à corrupção existente e responsabilizá-los – pagando – pelo que fizeram ao país e por mentirem ao povo que sofre.
Somos um país em que os partidos políticos vivem viciados, não têm o sentido de Estado, aproximam-se do Parlamento com o intuito de se servirem dele, fomentam o compadrio e não são capazes de o substituírem pelas competências, pelo serviço ao bem comum.
Somos um povo que só vota e só conhece dois partidos políticos, mesmo que saibamos que mentem, que esmagam com impostos e que ficam “esquecidos” dos corruptos, quer habitem no país ou fujam para o estrangeiro.
Somos um povo que conhecendo bem toda a rapacidade dos que já estão fora do Parlamento, aceitamo-los depois alegremente a ocuparem bons lugares empresariais e a levarem para casa – como ordenado – o sangue e a fome daqueles que foram suas vítimas.
Somos um povo que estando a ser extorquido e enganado por gente que nunca trabalhou na vida e que desconhece totalmente as ânsias e os medos que impõem, ainda nos predispomos a ouvi-los e a aceita-los, com a intenção de “há que ter esperança”, cruzando assim os braços.
Somos um povo que conhecendo as grandes despesas que os políticos fazem, os grandes privilégios que têm até à morte, inclusive, uma Associação de ex-deputados a quem o Estado paga para fazerem viagens ou para “como conviver com o seu corpo”, ainda acarretam milhares para as suas contas bancárias… o povo vai deixando secar a carteira, a despensa e até já vai esquecendo onde fica o açougue ou a peixaria.
Somos um povo que já está avisado de que o ano de 2013 será pior que o anterior, onde tudo vai custar mais dinheiro sem que haja aumentos ou diminuição do desemprego… continuamos a coçar as narinas, a olhar para o chão ou a ajeitar a gravata à volta do pescoço.
Somos um povo que bem sabe existir gente a mais no Parlamento, nas juntas de freguesia, nos corredores dos serviços públicos, nas vias de circulação com potentes carros que transportam os políticos, nas viagens faustosas que fazem sem nada resultar e, esquecemos que o Parlamento é o local dos deputados mortos, dos exportadores de fome, de incertezas, de medos e, principalmente, o local onde se fomenta a existência de agências funerárias para enterrarem os reformados que, ao longo de décadas, confiaram nas mãos do Estado os descontos mensais para terem um fim de vida digna e de não pedirem esmolas a ninguém.
Somos um povo onde os hipócritas riem, onde os imbecis anunciam inteligência, onde os políticos são estrábicos, onde muitos jovens já (para fora) “cavaram”, outros querem “cavar” e onde se pensa que os que ficam serão “nabos”, porque, desde que nasce o dia até que termine, parece inverno, anedótico e de maus sonhos neste Portugal cansado!
Como bem escreveu José Régio no ano de 1969: “Surge Janeiro frio e pardacento,/Descem da serra os lobos ao povoado;/Assentam-se os fantoches em S. Bento/E o Decreto da fome é publicado”.




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