Fotografia:
Mossoró

Nestes dias os jornais nacionais estão cheios de balanços de 2012. Cheios até ao enjoo. O pior é que esses balanços mais não fazem do que reforçar as ideias tendenciosas de alguns, que teimam em idolatrar quem lhes convém e a menosprezar os que estorvam. Por exemplo, na passada terça-feira, um jornal desportivo trazia na capa aquilo que eles consideram o onze ideal de 2012 no futebol português. Obviamente era um “onze” pintado de três cores: azul, verde e encarnado. De vermelho, nada. A gente aceita e compreende. Preferimos dizer: então deixem-nos em paz e fiquem lá com as vossas estrelas.

Manuel Cardoso
3 Jan 2013

Eu, pelo contrário, gostava de fazer aqui um mini-balanço, em jeito de homenagem a um pequeno herói. Ele é um daqueles de quem os jornais “grandes” não gostam de falar. Gente enorme que, na minha opinião, marcou mesmo o ano passado.
Em primeiríssimo lugar nos feitos heróicos do nosso clube, Mossoró. O consagrado comentador Luís de Freitas Lobo costuma dizer que há um Braga com Mossoró e um outro Braga sem Mossoró. Tem razão. Com Mossoró há magia. Não gosto de destacar jogadores porque ao fazê-lo corremos sempre o risco de ser injustos para com outros, que talvez também mereçam destaque. Mas neste momento atrevo-me a abrir esta exceção.
Não esquecerei tão cedo aquele golo em Udine (como não esquecerei tantos outros). Mas naquele jogo em Itália, o golo que nos deu o acesso àqueles milhões todos e à fase de grupos da Champions foi um exemplo notável de querer, de força de vontade, de arte e de inspiração: a bola, na área contrária, ia para canto. Qualquer outro jogador teria preferido ganhar o pontapé de canto, mas o nosso pequeno herói preferiu captar a bola, cruzar e assim proporcionou o cabeceamento de Ruben Micael que nos haveria de levar à liga milionária.
Mossoró é um caso único. Inexplicavelmente, há quem não aposte muito nele. Lembro-me perfeitamente de Jorge Jesus o deixar sistematicamente de fora, perante a incompreensão dos adeptos. Mas esse treinador, como se sabe, não ficará nos anais do
SC Braga. Pelo menos pelos bons motivos.
Mau grado estranhas reticências colocadas por alguns, Mossoró é um caso único também ao nível da empatia com os associados. É impressionante a forma como os adeptos o apoiam. A isto não será estranha, para além da qualidade futebolística, a humildade e o caráter do homem que é Mossoró. Nunca o vimos nem ouvimos falar em “dar o salto” ou revelar qualquer “sonho de jogar num clube com outro estatuto. Em campo, para além do talento, Mossoró deixa sempre toda a vontade, toda a garra que adicionou à magia da sua técnica. Há jogadores que se distinguem pelo talento inato; outros pela força e pela vontade. Mossoró juntou tudo isso.
É por tudo isto que Mossoró será, desta geração de jogadores, o que mais facilmente há-de entrar na galeria dos notáveis do SC de Braga, na lista restrita daqueles que nunca serão esquecidos, lista essa de que fazem parte os inesquecíveis Perrichon, Karoglan, Barroso e Chico Gordo.




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