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Meninos sem lugar

1 Não me sai da cabeça a história daquela mãe, em prisão preventiva por suspeita de ter provocado a morte de dois filhos: um de um ano e outro de três. Isto, a poucos dias do Natal.Relacionei a sorte daqueles meninos com a de Jesus, para quem não houve lugar na hospedaria e a quem os seus não receberam. Aqueles meninos não tiveram lugar no mundo dos vivos.
 

Silva Araújo
3 Jan 2013

2. Não quero julgar aquela mãe, por quem tenho rezado. Enorme deve ter sido o drama por ela vivido para que, a ser verdade, tivesse feito aquilo de que é acusada.
 
3. Aqueles meninos tinham, como os demais, direito à vida. A uma existência feliz. Que negra sombra os terá feito partir, tão prematuramente e em circunstâncias tão trágicas?
 
4. Não deixo, a propósito, de alertar para a incongruência da legislação que temos.
Acusada de ter provocado a morte de dois filhos, aquela senhora, em nome da lei, passou o Natal na prisão. Se tivesse optado por os matar quando os trazia no ventre, teria beneficiado da proteção da lei.
Mas a vida humana não deve ser defendida em todas as circunstâncias?
Não é, realmente, de rever quanto antes a legislação sobre o aborto provocado?
Não para ver senhoras na prisão, que isso não quero, mas para sublinhar o valor da vida, cuja defesa é um dever. Para lembrar que o ato sexual deve ser praticado com consciência e com responsabilidade, assumindo as pessoas as consequências que dele advierem. Para sublinhar que, numa sociedade em que o número dos óbitos ultrapassa o dos nascimentos, muito mais do que facilitar o aborto devem ser tomadas medidas a favor do incremento da natalidade.
Por que é que se corta no abono de família e se pagam abortos?
Se a vida do ser humano deve ser protegida, por que se permite a morte de alguns? Ou provocar o aborto não é matar um ser humano, inocente e indefeso? Como se pode consentir que quem tem o dever de estar ao serviço da vida se coloque ao serviço da morte?
 
5. A maternidade é um grande dom de Deus. Dom que é para agradecer. Dom que é para saber gerir de harmonia com a vontade de Deus. E a vontade de Deus é que todas as que são chamadas ao exercício da maternidade o possam fazer com toda a dignidade e nas melhores condições. A vontade de Deus é que a maternidade seja devidamente protegida.
 
6. Continua a falar-se muito em educação se-
xual, esquecendo-se que a educação sexual tem de começar por ser educação.
Mas não é verdadeira educação a que não contribui para que as pessoas tomem consciência da sua dignidade e da dignidade dos outros. Não é verdadeira educação a que não contribui para que as pessoas se respeitem a si e aos outros. Não é verdadeira educação a que não contribui para que as pessoas formem bem a consciência e tenham uma correta escala de valores. Não é verdadeira educação a que não contribui para ajudar as pessoas a respeitarem o direito à vida em todas as suas fases: desde a conceção no ventre materno até à morte natural.
 
7. A propósito de uma tragédia ocorrida há semanas nos Estados Unidos da América do Norte li no facebook a oração de uma criança que perguntava a Jesus: por que é que permites tanta violência nas escolas?
A resposta deu-a Jesus de imediato: porque não permitem que eu esteja nas escolas.
Vivemos numa sociedade onde pessoas com influência teimam em afastar Jesus do meio dos homens. E fazê-lo é afastar dos homens a mensagem de amor, de compreensão, de paz, que Ele quer que vivamos. Rejeitar Jesus é abolir um conjunto de valores que conduzem a um mundo cada vez mais humano e mais fraterno. E o resultado é a prática do salve-se quem puder. É a prática do domínio dos mais fortes sobre os mais débeis. É a prática dos interesses e das conveniências. É a prática do vale tudo, desde que se consiga o que se pretende, mesmo que para isso se atropelem, se esmaguem, se cilindrem pessoas. O resultado é a coisificação das pessoas e o desrespeito pela vida do ser humano.
Há que ter a lucidez e a coragem de regressar aos valores do passado, aos autênticos valores cristãos, o que passa pela reconstrução da família e por incluir nos manuais escolares textos que de lá nunca deviam ter saído.




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