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E se de repente a Igreja “fechasse”?

Ojornal “Página 1”, diariamente publicado na internet pelo grupo Renascença, editou, há dias, uma breve peça jornalística da autoria de Isabel Alvez, da Agência Lusa, intitulada “Igreja Católica é tábua de salvação”. Esse texto abre da seguinte forma: “A crise, o desemprego e a pobreza obrigaram a Igreja Católica a recentrar-se na sua função de solidariedade social, cada vez mais criteriosa, devido aos crescentes pedidos de ajuda, de famílias inteiras, algumas no limite da sobrevivência. Da Igreja e dos padres já não se espera apenas consolo espiritual e orientação moral. Para aqueles que deixaram de conseguir fazer face às despesas, crentes ou não crentes, as suas paróquias transformaram-se numa ‘tábua de salvação’, muitas vezes a última esperança para quem já bateu a todas as portas onde podia encontrar auxílio.”

Victor Blanco de Vasconcellos
3 Jan 2013

Nas últimas décadas, devido à progressiva “laicização” da sociedade europeia, a Igreja Católica tem sido frequentemente acusada de viver “à margem da realidade”, tanto no que se atém a assuntos de natureza moral e catequética, como no que concerne a questões de índole meramente social. E no que respeita à Igreja portuguesa em particular, a essas críticas “universais” têm sido entranhadas outras, umas provenientes de fora e outras do interior da própria comunidade dos crentes. No primeiro caso, por exemplo, é a Igreja frequentemente atacada pelo presumível “fausto” em que vivem os seus ministros e as suas estruturas temporais; no segundo caso, algumas críticas centram-se nas atividades de natureza social desempenhadas pelos sacerdotes, que muitos católicos gostariam de ver “recentrados” apenas nas suas funções de ministros do culto e de orientadores da vida espiritual – deixando aos leigos (à “sociedade civil”…) a função de criadores e gestores de estruturas de apoio social, como centros de dia, lares de idosos, creches, estruturas de assistência domiciliária, etc.
Nestes tempos de indizível carestia por que passamos, a importantíssima “ação social” da Igreja Católica tem sido frequentemente objeto de notícia nos “media”, particularmente na televisão. E por essas notícias todos podemos constatar que, afinal, é a Igreja Católica (institucionalmente ou através de “movimentos” e de crentes a ela ligados) quem anda a matar a fome a milhares e milhares de portugueses… E não apenas “em dias de consoada”, mas diariamente, ao almoço e ao jantar!
Alguém pode, por isso, imaginar o que aconteceria hoje ao povo português se, de repente, a Igreja “fechasse” as portas a esta sua nobre missão de solidariedade e de apoio aos mais necessitados? Alguém consegue mesmo imaginar o que aconteceria?!




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