Fotografia:
Um ano difícil

Continuo embalado pelo momento litúrgico. Começo, por isso, com uma referência ao contexto da época festiva. O ano novo só acontece depois de termos ido ao Presépio e de cumprimentarmos a Sagrada Família de Belém. Os pastores ensinaram-nos o caminho até lá. Podemos sempre segui-los. Avisadas por estes, muitas famílias visitarão ainda o Menino, antes que parta, com os seus pais, para país estrangeiro e livrar-se assim de Herodes.

Luís Martins
2 Jan 2013

Depois dos pastores, diz-nos a história, chegaram os reis magos. Não logo. Estavam distantes e isso fê-los demorar ainda umas duas semanas. Mas, no meu presépio, a chegada destas personalidades do Oriente chegaram mais cedo. Estive lá há dias e levei-as. Os pastores já lá estavam a cumprir a sua função, já conheciam o Messias e os seus pais. Liturgicamente falando, ainda não era o momento de entrarem em cena tais personalidades. No entanto, desta vez, quis repetir o encontro com alguma antecipação. Para se poderem demorar um pouco mais. As circunstâncias assim aconselhavam.
Passo ao calendário. Já estamos em 2013. Muito embora esclarecidos sobre o que é importante, são muitas as dúvidas, várias as interrogações e alguma ansiedade. Fazemos votos de um ano melhor. Sabemos que será difícil. Com muita vontade que não seja assim, dizemos a amigos e conhecidos, a quem cumprimentamos por estes dias, que lhes desejamos saúde, paz, amor e algum bem-estar no ano novo. É tradição fazer esses votos. E, no fundo, desejamos que assim seja, embora não tenhamos grandes ilusões.
Em qualquer espaço criado para o efeito, ou em casa junto dos familiares mais próximos, quisemos brindar ao novo ano. Não esquecemos as passas e os desejos pes-
soais. Como em qualquer outro ano. Quisemos que se concretizem no novo ano novos objetivos e outros que têm transitado à espera de melhor oportunidade.
O ano de 2013 será difícil, muito difícil. Vamos ter de nos superar. Talvez consigamos. Mas, temos que fazer a nossa parte. Todos estão preocupados com a sua, o que é compreensível, não nos podemos distrair. Temos de fazer, pelo menos, a nossa parte. Mas, podemos dar ou receber uma cotovelada ou um empurrão, para que não se adormeça nem desanime. Pode ser a nossa sorte. O nosso caminho também se faz de entreajuda.
Fomos desafiados a correr a maratona. Podemos não ter pernas, nem forças, para a fazer toda de uma vez. Podemos estar preparados apenas para fazer metade, mas que seja. Ainda assim, precisamos de correr acompanhados. Sós, é mais fácil desanimar. Basta uma pequena contrariedade e acabamos por desistir. Na vida, como em qualquer prova, também é assim. Precisamos dos que nos rodeiam, cientes de que esses mesmos podem também precisar de nós. O caminho parecerá menos íngreme e mais curto.
Vamos ter que dar a volta à vida. Vamos ter de nos virar. E se os amigos são para as ocasiões, nesta, a do ano de 2013, o mais difícil para muitos de nós, contamos com eles. E, se calhar, eles connosco. Nem que seja para nos ouvirmos os desabafos, as preocupações que vamos ter de enfrentar. Talvez nos deem soluções, nos apontem, como os pastores do Natal, o melhor caminho para chegarmos ao objetivo.
Teremos, certamente, de saltar obstáculos, alguns de grande dificuldade para ultrapassar. Desistir não resolverá. A insatisfação será ainda maior do que se não nos tivéssemos apresentado à corrida. Há uma meta a cada passo. Ajudar é capaz de ajudar. Quantas vezes experimentamos a satisfação por o termos feito! O importante é chegar ao fim. Com ajuda, será sempre mais garantido.
Mesmo com ajuda, muitos vão passar mal. Desde logo, aqueles a quem falta o emprego ou a quem simplesmente a vida, a sobrevivência da família, fica mais cara do que o rendimento líquido auferido no fim do mês. 
Haverá projetos que não vão poder concretizar-se. Adivinha-se que será assim. Estamos conscientes e avisados, mas nunca preparados. Mas, apesar das perspectivas, será bom continuarmos a desejar Bom Ano aos nossos amigos e a quem se cruzar connosco.




Notícias relacionadas


Scroll Up