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O novo ano de 2013

Este é o segundo dia de 2013. Na sua inexorabilidade cronológica, os relógios do tempo lembram-nos que a vida é breve e as trezentas e sessenta e cinco ou seis folhas do calendário mais não são que outras tantas contas de um longo rosário que preciso é desfiar a bom contento e melhor proveito.

Dinis Salgado
2 Jan 2013

O ano de 2012 que findou não deixa saudades à maioria dos portugueses. Mormente, por uma dramática crise económica e social consigo arrastar: mais dramas que comédias, mais derrotas que vitórias, mais desventuras que venturas, mais lágrimas que risos. E isto num cortejo ininterrupto e voraz, alheio à sensibilidade, altruísmo e ética da maioria da classe política que temos.
Todavia, o Novo Ano de 2013 que se inicia traz consigo o estigma de mais indigência, conflitualidade e desesperança. Será um ano de mais desemprego, do aumento do número de famílias endividadas e da emigração juvenil, de novos aumentos de impostos, de acentuada quebra dos salários, pensões e reformas, de muita fome e miséria. Obviamente, um ano de vacas magras, escanzeladas, tuberculosas.
E não havia razão para cairmos neste pântano de desespero e incerteza. Foram anos e anos de governações descontroladas, de esbanjamento e desperdício, de fundos europeus desbaratados, de subsidiodependência, de abandono dos campos e do mar, de fraudes, roubos e desvios de dinheiros públicos… de regabofe! E sempre naquela doce ilusão, alimentada por certos governantes e políticos, de que, porque pertencíamos ao clube dos ricos, nunca mais seríamos pobres.
Só que, o dito clube estava mais interessado em dar-nos o peixe do que ensinar-nos a pescar, o que em termos económico-financeiros se traduz no envio de fundos para serem gastos no consumo dos seus produtos importados, em vez da sua aplicação no crescimento e desenvolvimento da economia e na criação de riqueza nacional. E, assim, passámos a ser consumidores passivos e obrigatórios das produções do clube dos ricos.
Até que, o dinheiro chegou ao fim com a economia destroçada, os campos abandonados, os barcos desmantelados, as fábricas fechadas, a indústria e o comércio desatualizados, o desemprego, a fome e a miséria a galoparem! E, mesmo assim, em plena tempestade e em ingente risco de naufrágio, uns tantos políticos e governantes, autênticos quixotes lutando contra moinhos de papelão, teimaram em alimentar no povo a eterna e doce ilusão de que continuávamos ricos e afortunados!
E, agora, no cais da angústia e da incerteza, só nos resta esperar, como tantas vezes ao longo da nossa secular história, não que se faça justiça sobre quem para aqui nos conduziu, que isso não passa de uma miragem, a vinda de um Desejado, seja ele Sebastião, António ou Serapião, capaz de nos restituir o orgulho, a honra e a alma de ser português e nos libertar, definitivamente, da triste condição de pedintes, de chapelório na mão e mão estendida – humilhados, explorados, ofendidos e dependentes – à caridade alheia.
Este, sim, um bom e libertador prenúncio, para o Novo Ano de 2013! E até para que de uma vez por todas, deixemos de praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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