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A subida para Deus através da intuição

É pela escada da intuição, que a minha crença na existência e no ser eterno de Deus deve subir. Também os conhecimentos devem subir essa escada para encontrarem mais segurança e mais certeza. De um modo muito genérico, vou definir a intuição como um conhecimento imediato, claro e distinto, onde a verdade se manifesta como certeza. Vou integrar, neste conhecimento intuitivo, a superação, capacidade inata e subjetiva, que a pessoa possui para progressivamente avançar pela sólida certeza dos seus conhecimentos.

Benjamim Araújo
2 Jan 2013

Toda e qualquer intuição, para a evidência vir imediatamente à tona do pensamento, exige a libertação da pessoa. A libertação vai exigir que deixem a pessoa assentar bem os pezinhos no solo da certeza, para que, sem dificuldade, a sua crença possa subir pela escada da intuição. Os pés assentam-lhe bem na certeza, logo que a pessoa desembarace a mente das escórias e sujidades que estão acumuladas, aos montes, no pensamento. Os pés assentam bem na sólida certeza, quando a pessoa cuida, defende e liberta as emoções das investidas desenfreadas dos impulsos fisiológicos. Assim, a pessoa começa a afirmar a sua maturidade, saúde mental e equilíbrio emocional.
Para conhecer não só a existência de Deus, neste mundo, mas também o ôntico do Seu eterno Ser, vou partir da globalidade de todas as nossas intuições, que perpassam pelas sensações, emoções, sentimentos, pensamentos e ações
Vou encostar à minha frágil, temporal e instável natureza, uma escada alta e com degraus, por onde a minha crença vai subir até a cume. No topo, encontro o Ser Divino, isto é, a globalidade das globalidades, o ôntico dos ônticos, o ser dos seres, que exige que, para lá de Si, sejam inúteis as intuições, as superações, a criatividade, a meditação e contemplação, pois nada mais existe.
Os degraus estão encaixados, presos e bem seguros naqueles buraquinhos, que estão mesmo à frente dos olhos. Estes degraus vou denominá-los intuições.
Com a minha crença, vou denominar o primeiro degrau da escada como intuição sensorial. Neste começo de subida, encontro, para lá da verticalidade do meu físico, a pluralidade, a diversidade e a união de todos os órgãos biopsíquicos.
Estimulado pela pluralidade, diversidade e união – que não me satisfazem – o que está para além disso?
Subi, então, para o segundo degrau. Este, vou apelidá-lo de intuição mental. Aqui, no meu caminhar para diante, encontrei a ideia de unidade para a pluralidade, de identidade para a diversidade e encontrei a ideia de universalidade para a união.
A intuição mental, contudo, não me satisfez ainda. Subi, então, para o terceiro degrau, ao qual vou chamar intuição transcendental por estar fora do tempo e do espaço. Aqui encontrei, para lá das outras intuições, o corpo e a alma, em íntima unidade, conexão e sintonia.
Perguntei a mim mesmo: – Que significado tem esta intuição? Não posso assentar praça na unidade; por isso vou subir ao quarto degrau. A este degrau vou dar-lhe o nome de intuição transcendental, mas mais rica pois supera a anterior pelo facto de exigir a cooperação e colaboração entre a criatividade, meditação e contemplação.
Que encontrei nesta intuição? Encontrei o meu ser ôntico constituído, na sua unicidade, pela corporalidade espiritualizada. Esta unicidade é imperfeita e limitada, mas já é um avanço em relação à unidade entre corpo e alma.
Pelo facto da unicidade do meu ser ôntico não me satisfazer – por ser imperfeita e limitada – vou subir ao quinto degrau, o último da escada. Para ele vou usar o nome de intuição transcendente. Aqui, no cume da subida, encontrei com clareza o uno perfeito e ilimitado, a espiritualidade pura. Encontrei Deus que supera e autotranscende o nosso ser ôntico. Posso, então, afirmar, de uma forma clara, distinta, certa e evidente, que Deus é, em si, e que existe na nossa migrante vida.
Agora durmo em paz e sossegadamente!




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