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As privatizações

Não vou discutir entre quem deve ou não deve ter a propriedade das coisas. O que me traz a este tema é um pensamento muito mais chão, aquele que me diz que não tenho obrigação de pagar cada vez mais impostos, para sustentar empresas cronicamente deficitárias, para não dizer falidas. Não pode ser, não estou disposto a isso voluntariamente porque ver esbanjar dinheiro que me custa a poupar, para regalo de alguns, é como ver outros gozarem na festa e eu ficar em casa. Regabofes quem os faz que os pague. Com o meu dinheiro, não.

Paulo Fafe
31 Dez 2012

Não estou para poupar para depois os ver esbanjar. Ano após ano, gestão atrás de gestão, prejuízos enormes a seguir a prejuízos grandes, é parafuso que moeu a rosca!  Falo nisto por causa da TAP e da RTP, da REN, da CARRIS e quejandas.  Eu penso que o estado não deve dar biberão a quem já há muito deveria estar desmamado. Tudo o que não der lucro, ou pelo menos equilíbrio financeiro, deve ser vendido, claro pelo melhor preço, e ainda mais claro com contas à vista de todos. Salvaguardo neste juízo os serviços de saúde, educação e segurança, estes sim, únicos e verdadeiros serviços sociais, logo sem objetivos lucrativos. Os problemas das privatizações prendem-se com os postos de trabalho, mas ou o pessoal está ajustado às necessidades e esses nunca serão demais, ou andam por lá partidariamente  encostados, pendurado e esses terão que procurar outro poiso. E disto se convence qualquer um que não seja adepto da parasitagem. Custa-me imenso ver os transportes públicos sejam eles ferroviários, viários ou marítimos fazerem greves intermináveis apenas na maioria dos casos para sustentarem privilégios de que mais nenhum trabalhador goza e que alguma vez usufruiu. Nacionalizar seria a minha ordem de serviço se fosse governo. Pela maior oferta, naturalmente, para os que salvaguardassem melhor os interesses nacionais e laborais, igualmente com certeza. Mas ficar neste estado de coisas que fingem que são direitos aquilo que não passam de privilégios é uma afronta à nossa compreensão e uma prática de desigualdade que não suporto. Aguento porque não mando, aguento mas não  me calo por amor à justiça social, aguento dorido e dolorido por ver como este país se comporta corporativamente em vez de cooperativamente. Por isso, sou a favor que se privatize a TAP, a ANA, a RTP, os transportes públicos e todos os serviços porque não são verdadeiramente serviços públicos; os que o são, acima estão referenciados. O país não é dos sindicatos nem das corporações ou associações sindicais, há mais país e muitos mais cidadãos para além destas associações. E os que a estas não pertencem têm também uma voz a levantar bem alto e a dizer, nós não estamos dispostos a pagar mais impostos para mais prejuízos empresariais do estado. O mesmo se diz dos estivadores: eles não podem ser uma nação dentro de outra. A Assembleia da República, que às vezes se perde em verborreias inúteis sobre assuntos fúteis que não interessam ao país, tem de colocar estes senhores nos eixos; eles não são uma comuna à parte, eles são trabalhadores como os outros,  a sua arrogância vem-lhe de um poder putativo e não de um poder democrático, logo sujeito a leis gerais para todos os trabalhadores. Quem são estes senhores para determinar quem entra ou quem sai nos serviços da estiva? De onde lhes vem este direito que outorgam? Deles mesmo porque querem ser juízes em causa própria. Os dinheiros poupados nos serviços privatizados davam para termos saúde mais gratuita, melhor educação e mais alargada segurança, disso ninguém duvide. Para o novo ano que ora começa, penso que compete também a nós fazer do ano terrível que se anuncia, um ano sofrível.




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