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Uma aula em Navarra, um reencontro em Braga

1 – Um dia, em Pamplona). Contou-me o próprio. Aqui há bastantes anos, em Pamplona, um professor arengava sobre assuntos de Moral e, seguindo o preconceito de tantas e tantas pessoas, prevenia contra as artes e manhas das mulheres, que acusava de todos os defeitos. De tal modo se empolgou e ultrapassou o razoável, que um dos seus alunos até então mais anónimo, se levantou e pediu para sair. E justificou-se: “é que a minha mãe também é mulher e eu não suporto vê-la assim atacada”.

Eduardo Tomás Alves
30 Dez 2012

A frontalidade, sinceridade, simplicidade, amor filial, a capacidade de ponderar valores e saudável capacidade de revolta do aluno foram aí mesmo avaliadas de forma bem positiva pelos outros professores e alunos. E, diz ele, que a partir daí ficou famoso naquela importante escola da cidade de San Fermín. Porque mostrou que era bom cristão. Uma vez que os bons cristãos estão obrigados a ser francos e abertos para com os outros bons cristãos (apenas com esses!) acerca do que lhes vai na alma.
2 – Há 1980 anos atrás, em Jerusalém). Esta legitimidade da crítica fundada, mesmo aos nossos superiores; ou até da própria revolta, com uso da força, se todos os outros nossos argumentos forem inúteis ou se se tiverem já esgotado, foi autorizada por Nosso Senhor Jesus Cristo quando deu o exemplo, expulsando os chamados “vendilhões do Templo”, no ano de 33. Eventualmente a falta de decoro, a linguagem, as atitudes e o desrespeito pelo Sagrado que estes manifestavam naquele lugar tão especial, impeliram Cristo a tomar uma atitude muito contrastante com a sua prática diária. Mas que pelos vistos  também passaria a fazer parte dos Seus ensinamentos. E não apenas o “dar a outra face”. Aliás, costumo eu dizer a brincar que como não somos nenhuns poliedros e só temos duas faces, só podemos dar a outra face uma vez. À 3.ª , é o próprio Cristianismo que nos autoriza a sermos, digamos, um pouco mais “justicialistas”.
3 – Sobre Bizkaia, Nafarroa,Áraba e Guipúzcoa). A propósito de Navarra, um pequeno intervalo no meu raciocínio. Eu tenho um primo americano que é descendente do gen. Ethan Allen, nada menos que o fundador do estado de Vermont(em 1776). Protestante e muito conservador, ele desconfiava que eu assinasse como assino, de tal modo que as iniciais fossem E.T. e A.. Com os anos lá percebeu que eu sou grande defensor da unidade de Espanha. O que aliás me levou a uma admiração crescente pelo general Francisco Franco, símbolo ímpar de prudência, valentia e de sagacidade. E, lá está, por ser um homem “que se revoltou no tempo certo” (em 1936). Tão longe e tão perto, Guipúzcoa!  S. Sabastian, um hotel   à beira mar, aquela loura que nunca mais vi. A sierra de la Demanda e já estava em casa. Às vezes hoje, quando não tenho sono, ouço a onda média da rádio basca, a boa música tradicional…
4 – Em Braga, neste Dezembro). Agora, cabe-me a mim falar como disse atrás, de bom cristão para bons cristãos, dizendo abertamente o que me preocupa. Noutro dia encontrei-me em Braga com uma pessoa que já não via há anos e que de algum modo se tornou muito importante nos meus começos literários aqui em Braga. Ao ponto de sem dúvida se ter tornado um dos meus 5 ou 6 padrinhos no meio jornalístico. Saudámo-nos com afecto mútuo, mas quando lhe perguntei se gostava dos meus trabalhos, disse que normalmente os não lia, dado que não vivia em Braga e tinha uma vida ocupadíssima. Vinda de quem veio, a afirmação produziu em mim (pessoa céptica, que raramente se decepciona) uma das decepções da década… É que eu deixei de ser advogado para andar nesta vida dos jornais e das causas públicas de valor para mim superior aos da própria advocacia. Ser ignorado será um dos piores castigos. A esperança (que até no nome trago) sugeriu-me a mim, que também tenho uma costela serrana (de uma antepassada de Castelões, V. de Cambra) que o dito proviesse da manha de outro serrano, este de
S. João do Campo. O qual queria tudo menos comprometer-se com certas iconoclastias ocasionais do “aluno”. Antes fosse assim. Mas talvez não seja, não sei…




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