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A Casa (das) Convertida(s) em Lar do Comércio

Temos observado, neste jornal diário, as mais variadas manifestações sobre qual o destino a dar ao edifício das “Convertidas”, em que se vão expondo os mais variados pontos de vista sobre o que melhor se encaixaria naquele edifício. Esta espécie de “disputa”, pelo património em causa, mais se vai assemelhando a uma” herança” em que cada um procura defender a sua perspetiva, de herdeiro legítimo, esgrimindo-se pontos de vista plausíveis de obterem o consenso de quem de direito mas, por vezes, sem a verdadeira sensibilidade para com os princípios que presidiram à sua génese.

Narciso Mendes
29 Dez 2012

Já algumas, hipóteses foram aventadas por vários e proeminentes simpatizantes de instituições de grande e prestigiado mérito, na nossa região, porém, ao que me parece: (tanto o Museu da Cultura Popular Alberto Sampaio; como o pólo do Museu dos Biscainhos, que se situa na rua com o mesmo nome num espaço, meu ver, suficiente, o qual não necessita de uma hipotética filial; bem como a sede da Capital Europeia da Juventude, esta, sem pés nem cabeça para um equipamento daqueles), não preenchem o requisito sócio caritativo desse bem patrimonial.
 Sobre este tema, ruminei em silêncio uma ideia e resolvi dar o meu “lamiré” sobre tão preciso espaço que não deveria, a meu ver, ter outro destino a não ser aquele a quem um dia alguma generosidade lhe deu forma e identidade. Ora, como se vem proclamando ser Braga a capital do comércio, com pergaminhos no seu setor tradicional o qual é, não só, responsável pelo emprego de muita gente, mas também pelo fator que impulsiona e desenvolve a nossa urbe; e como já, em tempos, foi ventilada a hipótese de ser criado um “lar para os idosos(as) do comércio”, cujo projeto julgo ter sido atirado para as calendas da inércia, entendo que seria esta a oportunidade, perfeita, para os seus  representantes “legais” mostrarem essa velha pretensão mas, agora, de uma forma mais abrangente, pondo uma casa, que era de uma obra social, a funcionar ao serviço dos mais carenciados. Só isso, faria com que fossem resolvidos alguns problemas de uma só vez, (com uma efetiva parceria entre a CMB, Associação Comercial, o Sindicato do Comércio e a Segurança Social), destacando de entre os quais: o da consolidação estrutural da casa, ocupação e conservação; da sua sustentabilidade económica, contando com algum mecenato empresarial do ramo; o da criação de algum emprego;  o da capela, a qual teria uma função religiosa; e o de se tornar um local condigno para os nossos seniores, com duas componentes: a de poder ser visitada por quem pretendesse levar algum conforto aos seus utentes e, ao mesmo tempo, a de poderem apreciar a sua, então restaurada arte barroca.
A minha ideia não tem candidatura, mas poderia vir a tê-la se aquelas entidades dessem as mãos por este esboço de projeto. E nesta época de crise, sem um fim à vista, que também é, e muito, de valores, mais sentido faz que a casa das “Convertidas” se transforme no exemplo dos seus dons.
Com tantos milhões desbaratados, em granitos e numa megalómana piscina sem água, urge que se gaste algum no espaço em questão, antes do mais, para que não se desmorone, por desleixo ou pressão imobiliária, a fim de que não sejamos contemplados, consumada e irremediavelmente, com mais uma “aberração” urbanística qualquer.




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