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O poder político e o poder económico

Um dos princípios basilares do estado democrático assenta no domínio claro do poder político sobre o poder económico. Era assim que deveria ser e acontecer neste país. Mas, todos sabemos que quem manda e quem desmanda, a seu belo bel-prazer, é o poder do capital, dos grandes grupos económicos e dos homens que mexem nas bolsas, nas especulações financeiras, que gerem as multinacionais e que lideram os bancos. O que importa, neste país, é ter dinheiro, não fosse o dinheiro o dono e manobrador do poder.

Armindo Oliveira
28 Dez 2012

Ter dinheiro significa traficar influências, corromper políticos e manipular mercados. Significa congelar a economia, fazer deslocalizações e insolvências fraudulentas para se destruir empregos e atirar pessoas para a miséria.
A vida política portuguesa tem girado indubitavelmente à volta do dinheiro, dos interesses e da maldita austeridade que vai destruindo, pouco a pouco, a magra economia e as ténues esperanças de um futuro melhor. A classe política e os partidos assim o quiseram e assim o permitiram, por incompetência e por desleixo, deixando-se algemar cómoda e coniventemente no estratagema das dívidas e dos juros que põe em causa a saúde financeira do país. Para satisfazer a ganância desmesurada e a vaidade trôpega dos anafados políticos, pretensamente engalanados na linha de topo dos partidos do arco da governação, não importa se o dinheiro chega pela via rápida das negociatas, dos compadrios ou pela colocação anómala de vírgulas em diplomas preparados na Assembleia da República. Mas uma coisa é certa: estes atos obscenos e penumbrosos, mas perfeita e sobejamente identificados e conhecidos, beneficiam certos interesses económicos, interferem grandemente com a qualidade de vida e com o futuro de todos nós.
Neste tempo, não importa se o país está à rasca, transpirando dificuldades por todos os poros, não importa se existem profundas desigualdades sociais, se o desemprego galopa sem freio ou se o Banco Alimentar recolhe toneladas e toneladas de alimentos para matar a fome aos famintos. O que importa, é que, a arrogância do poder económico domine e humilhe as fraquezas do poder político. E são, justamente os próprios políticos que se têm posto mesmo a jeito, para que este absurdo democrático funcione a todo o vapor e tenha estatuto privilegiado no atual correlação de forças que se colocam nos diversos patamares da gestão das finanças públicas. Neste tocante, o ex-vice-presidente da Câmara do Porto, Paulo Morais, tem afirmado insistente e repetidamente que: “O centro da corrupção em Portugal tem sido a Assembleia da República, pela presença de deputados que, simultaneamente, são também administradores de empresas”. Esta situação é chocante e viola, sem tréguas e sem vergonha, o primado da independência do poder político em relação ao poder económico, da cidadania e da confiança dos eleitores que, nas urnas, depositam o seu voto nestes parlamentares. Os deputados da nação têm a obrigação patriótica de defender o Estado com toda a sua inteligência e saberes, têm que estar, fundamentalmente, ao serviço da causa pública, têm que desempenhar as suas funções com dedicação, elevação e respeito por quem os elegeu e têm que honrar e dignificar o nome de Portugal.




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