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A todos um bom Natal

Estamos em plena quadra natalícia e, por isso, não há futebol nestes dias. Na próxima semana é fim de ano e, por isso, não há futebol nesses dias. Quer dizer, há sempre um motivo para tirar umas férias, mesmo estando nós a falar de jogadores de futebol milionários e de todos os que ganham milhões nessa “indústria”. Nós, os portugueses, somos bons nisto: temos uma habilidade muito especial para encontrar ocasiões e justificativos para descansar. Agora é por causa do Natal, depois pelo Ano Novo. O que é mais curioso é que na semana passada foi o fim do mundo e o futebol não parou por causa disso…

Manuel Cardoso
27 Dez 2012

Mais curioso ainda é que depois toda a gente critica; não há treinador ou presidente que diga que a paragem os favoreceu. Parece que toda a gente sai prejudicada mas quando se fez o calendário toda a gente concordou… Isto é interessante precisamente porque não só temos um espírito crítico muito apurado, como somos nós próprios que fabricamos os motivos da crítica.
Mas adiante; estamos no Natal e convém não esquecer que esta é a única época do ano em que vale a pena recorrer aos chamados lugares comuns. É um lugar comum desejar saúde aos amigos. É isso que eu gostava de deixar aqui bem claro; que o Natal seja uma ocasião para pensarmos um pouco nos outros e, acima de tudo, nos amigos. Gostava, no entanto, que todos alargassemos o mais possível o conceito de “amigo”; não me refiro aqui àquele hábito de chamar amigo a qualquer um; refiro-me ao conteúdo e não à forma; refiro-me à vontade de alargar o conceito de amigo, desde a família até àquele a que o grande José Carlos Ary dos Santos dedicou aquele inesquecível poema cantado por Paulo de Carvalho:
Tu que dormes à noite na calçada de relento / Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento /?Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento /?És meu irmão amigo /?És meu irmão

Nesta época de crise, era importante pensarmos um pouco nestas coisas; era importante pensarmos que somos adeptos de um desporto em que se fala de milhões como quem fala de tostões. Somos adeptos de um desporto em que profissionais fazem birra por só ganharem cem milhões por mês… tudo isto enquanto milhões de portugueses estão prestes a ficar sem casa, outros já perderam o emprego, muitos vivem na rua, milhares não sabem o que vão comer amanhã… no entanto, os nossos profissionais milionários estão de férias e não consta que tirem uns dias para fazer uns jogos de benificiência, uns joguinhos que financiassem umas refeições gratuitas aos milhares que não sabem como vão sobreviver amanhã.
Mas é este o mundo em que vivemos: o que conta são as palavras e a imagem. 
Seja como for, a todos um bom Natal!




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