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A lei do correto uso da vida humana (I)

A coisa mais relevante para aprender na vida é como se deve viver. Não há nada que os homens guardem com tanta ansiedade como a própria vida e nada a que deem tão pouca atenção. A felicidade e o sucesso na vida não dependem, primordialmente, das circunstâncias em que vivemos, mas sim de nós próprios. Há muito mais homens auto-arruinados do que arruinados pelos outros. De todas as ruínas, as humanas são as mais desoladoras.

Artur Gonçalves Fernandes
27 Dez 2012

Como dizia Séneca, “o pior inimigo do homem é o que vive no seu peito”. Há pessoas que têm um objetivo na vida, mas muitas outras arrastam-se na sua existência sem qualquer finalidade positiva e proveitosa. O primeiro objetivo da vida do homem deve ser fazer tanto de si próprio quanto lhe for possível, tendo como ponto de partida aquilo que temos dentro de nós. “O objetivo de cada um de nós – afirmou Humboldt – deve ser conseguir o desenvolvimento maior e mais harmonioso possível das suas potencialidades para formar um todo completo e coerente”. No entanto, não devemos entregar-nos a esta relevante tarefa com um fim meramente egoísta, pois então estaríamos predestinados a um profundo e irreversível fracasso existencial. Bacon disse que “a fortuna pessoal de um homem nunca pode ser um fim digno da sua existência”. Alguns dos maiores e melhores intelectos humanos, tais como, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Buda, S. Paulo, nunca se teriam contentado em se aperfeiçoarem só para eles próprios. O homem tem de dar o melhor de si próprio também por causa e em benefício dos outros e que em toda a sua atividade esteja subjacente e vivo um fim transcendente que lhe dê plena garantia de uma satisfação completa e perene.
Assistimos e damos importância a todas as invenções e mudanças maravilhosas operadas pelo homem, no campo científico e tecnológico e nos seus benefícios para a humanidade, quando aplicadas adequadamente. Este progresso imenso e notável é importantíssimo no sentido das aquisições materiais e científicas. No entanto, o progresso no sentido do ser é muito maior. Ir mais fundo, mais além, mais alto, vencer dificuldades, sentir desabrochar e desenvolver todas as nossas faculdades, ver a verdade a penetrar e a encher o nosso ser ôntico auto e hetero-transcendente, à medida que os anos vão passando ­– tudo isto torna a vida digna de ser vivida. Dostoievski escreveu: “Não é a inteligência que mais interessa mas o que a guia – o caráter, o coração, as boas qualidades”.
A lei do uso existencial é uma lei infalível a que ninguém pode fugir, nem os mentores da “partícula de Deus”, de que já falei em artigo próximo passado. O que o homem usa corretamente está sempre a aumentar e a enriquecer; o que não se usa ou aquilo de que se abusa retrocede, diminui e empobrece. Assim, mesmo quando um problema for excessivamente difícil para a nossa mentalidade, deve trabalhar-se nele com toda a lógica e raciocínio que possuímos, aplicando até o método cartesiano, dividindo-o em partes, começando a solucionar as mais simples até chegar às mais complexas. Ao proceder deste modo estamos a abrir caminho para a resolução final e, mesmo que as capacidades do nosso intelecto estejam exaustas, nós estamos a aplicar a lei natural da vida humana, contribuindo para o desenvolvimento intelectual e aumentando as suas potencialidades de rendimento. Assim se enriquece a nossa ginástica e habilidade mentais. Esta lei é verdadeira para todas as funções do homem. Todos os talentos humanos aumentam ou diminuem proporcionalmente, na medida em que são utilizados ou exercitados. A medida da nossa evolução é dada pelo que pensamos e fazemos. O que é usado desenvolve-se; o que não se usa atrofia.




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