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As limitações de Descartes

O tema do meu artigo vai ser este – Penso Existo -, do grande filósofo francês, René Descartes, pai e introdutor da Filosofia Moderna, no Ocidente. Descartes é, o iniciador de um novo período do pensamento ocidental, o racionalismo. Este carateriza-se pela autonomia absoluta da Razão e da Filosofia. Acerca desta autonomia, diz Hegel: – A razão e a filosofia, na linha de Descartes, têm por objetivo rejeitar, como ilegítima, a exterioridade morta da autoridade.

Benjamim Araújo
26 Dez 2012

O meu objetivo, em Descartes, não vai ser falar, detalhadamente, da autossuficiência da Razão como fonte do conhecimento; do método e da unidade da Razão; das ideias como objeto do pensamento; das ideias como realidade objetiva e como ato mental e suas distinções. Também não vou falar da existência de Deus, tal como foi vista através do seu pensamento.
O meu objetivo, relativamente ao de Descartes, é encontrar, para lá do “penso  existo”, do ato intuitivo com que o espírito o atinge, o radical fundamento de todo o pensamento e ação e, por semelhança, o do penso existo.
O penso existo, para Descartes, é uma espécie de forca que pendura, com as cordas da evidência, a cabeça da dúvida. O eu penso, segundo a compreensão de Descartes, é a substância espiritual ou a alma pensante, acerca da qual de maneira nenhuma possamos duvidar da sua existência e veracidade. Com isto, Descartes pretende afirmar que, após uma crítica radical, a existência se identifica, em absoluto e imediatamente, com a substância espiritual pensante (a alma). O eu penso existo, diz Descartes, pode servir de fundamento verdadeiro a todos os outros conhecimentos.
Se o que Descartes afirma acerca do penso existo, exprimisse a verdadeira e autêntica realidade, toda a dedução, a partir daí, seria verdadeira. Mas de facto não o é. A sua afirmação é ilusória, pois parte de uma manifestação da autêntica realidade.
Vamos lançar, então, sobre isto, um olhar mais atento, mais aberto e abrangente.
O pensamento ou o cogito é a manifestação da operatividade da mente. Esta, por sua vez    é a manifestação da alma ou espírito. O espírito, por sua vez é a manifestação da natureza do nosso ser ôntico. O nosso ser ôntico é a manifestação do ser divino. Isto significa que Descartes deveria fundamentar a dinâmica do pensamento na radical natureza do nosso ser ôntico, sua fonte. Não o fez, talvez por desconhecimento.
É por esta natureza que deve passar a salvação do penso existo. É, aqui onde o penso existo se deve instruir e ornamentar. Vai–se instruir ao folhear os livros do amor, da paz, da justiça e de muitos outros, espalhados pelas prateleiras da biblioteca do nosso ser profundo. Vai-se ornamentar com as pérolas, as pedras preciosas e os diamantes da verdade. No pescoço enrola o colar da unicidade, espanto para os políticos e religiosos e, no pulso, enrola as potencialidades da mente com os seus pensamentos. No intelecto encastra os seus brilhantes de luz com os fios flexíveis da ação.
Tudo isto e muito mais foi tirado do cofre do nosso autêntico ser, fundamento radical do penso existo.
Era aqui, nesta biblioteca, que Jesus Cristo orava, meditava, contemplava, se inebriava e descansava das incompreensões dos homens.




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