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Outro Ponto de Vista…

Pobreza, no sentido moderno, não significa, simplesmente, a falta de recursos e a escassez, traduz-se, sobretudo, pela ineficácia do sistema político e pela ausência de direitos, incluindo a sua extremamente injusta distribuição.”Liu Xiaobo
O Natal sempre é um tempo e momento em que, de modo mais ou menos sereno, somos interpelados pela imagem de um Menino, despojado e desprotegido, que no seu e pelo seu nascimento alterou todo o modo de ser humano.

Acácio de Brito
21 Dez 2012

De forma diferente, neste Natal não irei abordar o sentido da minha melhor prenda, o camisolão de flanela que fui prendado nos idos anos de 1976.
Não!
Hoje, num tempo e modo de viver para tantos de dificuldades acrescidas, é pelo sentido da mensagem do Menino, que pelo seu despojamento nos quis de modo singelo e simples dizer que o que vale é a dimensão espiritual do humano.
O que procurou anunciar é que a partir desse momento somos todos irmãos.
Este sentido de fraternidade que nos une obriga-nos a questionar muito daquilo que é feito em nome dos homens e que, afinal, ofende o que de mais humano nos deveria unir.
Este mundo feito de injustiças, pelos homens que mais não são que irmãos tem de ser inconcebível à luz da imagem do Presépio.
Não é humanamente aceitável uma visão do mundo, apenas numa das suas perspetivas, sejam elas económicas, financeiras, políticas ou mesmo sociológicas.
A falta de verdade nas ações políticas, a incompetência manifesta nas opções, o incumprimento na palavra dada e a irresponsabilidade que grassa entristece-nos.
Humanamente não se deve nem sequer se pode aceitar.
Aos homens com responsabilidade de governo exige-se muito mais.
O aceitável, radicalmente, é respeitarmos o Outro, pessoa nosso irmão.
No tempo de hoje, em que tantos sofrem os malefícios de uma visão economicista, redutora, incompetente e castradora do melhor que o humano tem, é no Menino cheio de Graça que encontramos alento para o tempo de um devir sempre presente.
A todos, sobretudo os que mais sofrem, pela exclusão provocada seja pelo desemprego ou, pela ausência de sentido de vida, os meus votos de um Santo e Feliz Natal e, que nas agruras de um momento que parece terrífico, encontremos no Menino deitado na palha e, em noite invernosa, o que ele nos veio pelo exemplo anunciar, um Mundo Novo em que a realização do humano só acontece pelo caráter fraterno que nos une.
Apesar da penumbra exterior do momento, do sombrio dos dias que correm, a Luz que emana em nós permite-nos dizer: bem-haja.
Um Santo Natal e que a mensagem do Menino nos permita perscrutar o sentido de uma transcendência que nos torna mais humanos.




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