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Água fria na fervura dos meios de comunicação social

Caro leitor, não me custa aceitar que os geradores de acordos, entre nós, são a abertura, a flexibilidade da mente, a aceitação, compreensão, compaixão e perdão. Questiono-me: – Que atitudes devemos tomar perante o facto consumado da pedofilia? Creio que a melhor e mais coerente resposta a tal questão já está implícita nos geradores de acordos acima referidos.

Benjamim Araújo
21 Dez 2012

Para satisfazer a compreensão e a flexibilidade vou, fundamentalmente, recorrer à intervenção da mente. Para satisfazer os caprichos da aceitação, da compaixão e do perdão, vou falar, cá na minha intimidade, com a emoção, o sentimento e o coração.
A mente e o coração têm de estar conetados e em sintonia entre si. Mas peço, encarecidamente, que dirijamos a orientação da sintonia e da conexão para se ajustarem à unicidade e identidade do ser ôntico. Mas, se esta orientação anda à revelia, metemos água por todos os lados. É um bom teste para prognosticar a fraqueza da mente e a imaturidade e destrambelhamento da pessoa, face ao facto consumado da pedofilia.
A pedofilia é um desajustamento perverso, que empurra o adulto a sentir-se sexualmente atraído por crianças. As suas manifestações são, entre outras, as estimulações genitais, carícias sensuais, coito. Há os que são denominados pedófilos por ilusão natural ou camuflada de certos observadores. Muitas vezes, a falta de atenção ou malícia vai gerar filões de dor e de sofrimento. Porém, ao tratar-se verdadeiramente de um pedófilo assumido, pede-se à ciência (psicologia, psiquiatria, psicanálise, sociologia e sabedoria religiosa) que o assistam de modo a conseguir a sua autossuperação.
A pedofilia é um facto natural. Como tal, onde se encontrar o organismo biopsíquico, na sua vitalidade, há a possibilidade de um desenlace. Ninguém, laico ou clérigo, crente ou descrente, ateu ou teísta, escapa a tal possibilidade.
Os meios de comunicação, então, mesmo quando isto acontece no seio da Igreja Católica ou em qualquer outra, devem deitar água fria na fervura da sua participação, muitas vezes crua, desatinada e maldosa. Porém, espero que as Igrejas, através da sua autotranscendência, superem a tristeza e o desgosto de todas as especulações e inflações de que têm sido objeto.
Para sair desta mentalidade podre e pessimista, vou questionar: O que é a Igreja Cristã? Talvez não seja muito ortodoxo, mas vou defini-la assim: é a globalidade dos filhos de Deus a caminho da sua salvação através de Jesus Cristo.
   
A respeito de igreja, a pessoa pode assumir três posições: pode ser igreja, pode estar na igreja e pode estar fora da igreja.
Só na primeira – ser igreja é que a pessoa está em verdadeira conexão e sintonia com o seu autêntico ser, a caminho da sua salvação em Deus.
Todo o ser humano, nas suas atividades, por imperativo do seu ser profundo, tem de ser igreja. O ser igreja exige da pessoa o dever e a responsabilidade de cooperar, colaborar e partilhar, com todos, as suas alegrias e tristezas. Os meios de comunicação social devem ser igreja.




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