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Reconquistar almas para a Igreja

Até meados deste mês de dezembro de 2012 estavam inscritas no Registo Nacional de Pessoas Coletivas Religiosas 726 entidades não católicas. Trata-se de um número impressionante, se tivermos em conta o reduzido universo demográfico português. Num país tão pequeno, há 726 entidades religiosas não católicas! Mais: segundo dados recentes do Instituto dos Registos e Notariado, 217 dessas entidades religiosas foram constituídas em Portugal entre… 2008 e 2011! Ou seja: em apenas três anos, registaram-se no nosso país mais de duas centenas de entidades religiosas.

Victor Blanco de Vasconcelos
20 Dez 2012

Destes números podem retirar-se várias ilações. Em primeira instância, retiro uma que me parece ser a mais óbvia e porventura a mais fácil: os portugueses estão sedentos de valores transcendentais. Após um longo período em que ser crente era algo que se procurava esconder socialmente (muitos utilizavam o predicativo “agnóstico” como “máscara” preferida…), eis que o coração dos portugueses parece voltar a reabrir-se ao divino e aos valores do Transcendente.
Dirão alguns que este aumento exponencial de entidades religiosas, especialmente nos últimos quatro anos, se deve às dificuldades materiais provocadas pela crise económica e financeira que grassa pelo mundo e que atinge o nosso país de forma tão demolidora. Não tenho a certeza disso, mas mesmo que assim seja há que ter em conta que os desígnios de Deus são insondáveis e que Ele escreve direito por linhas tortas…
Independentemente das “causas” desta abertura do coração dos portugueses ao universo dos valores transcendentais, bem manifesto no referido aumento do número de registos de entidades religiosas em Portugal, julgo que esta situação constitui um desafio e uma oportunidade para a Igreja Católica.
Um desafio — porque não será fácil à Igreja trazer ao seu seio corações que, voluntariamente, dela se afastaram, e que, agora que regressam ao mundo da religião, escolhem outro “redil” para os acolher.
Uma oportunidade ­–  porque esta é uma ocasião privilegiada para a Igreja demonstrar que a sua matriz doutrinária continua atual e que permanece intacta a sua capacidade de acolher aqueles que, por alguma razão, dela se afastaram.
A celebração do nascimento de Jesus – que nasceu pobre e para os pobres – é um bom “ponto de partida”, que a Igreja Católica não pode perder, para tentar atrair de novo ao seu seio aqueles que, ansiosos por Deus, se integram noutras confissões religiosas.
Bem sei que não é fácil essa “reconquista” de almas. Mas lembremo–nos do que disse alguém (o arcebispo brasileiro D. Hélder da Câmara, falecido em 1999) que passou por situações tão difíceis que teve de resistir heroicamente à vontade de desistir. Disse ele: “É graça divina começar bem; graça maior persistir na caminhada certa; mas a graça das graças é não desistir nunca”!




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