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O Natal, o iphone e a hora de almoço!

É verdade… já é Natal. O país da crise, das greves, das manifestações e das estatísticas aterradoras “veste-se” a rigor para festejar esta época tão especial do ano. As ruas das cidades enfeitam–se, o cheiro da quadra paira no ar, mas há toda uma tristeza que insiste em marcar o dia a dia. A verdade é que esta época do ano é marcada pela agitação nas ruas das cidades, nos shoppings, no comércio tradicional… enfim é o frenesim típico do Natal. As ruas continuam agitadas, os shoppings cheios, falta é saber se as lojas continuam a vender, quiçá na expetativa de salvar o ano que foi duro e preparar o próximo que se avizinha difícil.

Ramiro Brito
19 Dez 2012

Confesso que há coisas que continuo sem perceber nesta crise,  uma das quais é a razão pela qual o telemóvel mais caro do mercado, a saber Iphone 5, continua esgotado e com listas de espera enormes. Pasmo quando ouço um dos vendedores deste equipamento dizer que muitos dos que o compram ou estão desempregados ou auferem rendimentos baixos. Como pode alguém gastar seiscentos euros ou mais num telemóvel e pouco depois estar a manifestar-se porque não tem emprego ou tem piores condições de vida? Há uma fotografia esclarecedora sobre este tema, obtida julgo que por um fotojornalista do jornal “Expresso”, que capta a perspetiva de um comício da CGTP, em Lisboa, onde se podem ver milhares de manifestantes com Iphone’s no ar a tirar fotografias, ou seja, manifestavam-se contra as políticas que alegam lhes terem tirado condições de vida e empunham um telemóvel de mais de seiscentos euros de custo… ridículo… só mesmo num país como o nosso.
 O problema de tudo isto é que as dificuldades existem, estão lá, há pessoas e famílias em estado verdadeiramente preocupante e crítico e a necessitar de apoio para sobreviver… e aqui meus caros, temos todos a obrigação de intervir e ajudar. A situação não é fácil, mas os números das dificuldades reais não são tão alarmantes como se quer fazer parecer porque temos desempregados por opção, ou seja, que pura e simplesmente preferem estar nessa situação a viver do subsídio do que a trabalhar. Culpa deles e do sistema que permite. Temos pessoas que usam a perversidade do sistema para se esquivarem constantemente ao trabalho, com esquemas de baixas médicas e outras artimanhas que, todos nós conhecemos e somos até capazes de identificar pelo menos um caso conhecido. A perversidade do sistema e um figurino jurídico que estimulam muitas vezes a preguiça e a inoperância são entraves graves ao progresso e à saí-da desta situação.
Ando muito pelo centro da cidade de Braga e vou conversando aqui e ali com empresários do comércio tradicional, ou seja, de rua. A todos é comum a queixa relativamente ao decréscimo de vendas e de atividade comercial mas por outro lado não se veem grandes alterações de comportamentos face à situação, por exemplo, a maioria das lojas fecha na hora de almoço, horário no qual os trabalhadores teriam mais disponibilidade para efetuar as suas compras de Natal. As opções empresariais também têm de se adaptar à nova
realidade, temos todos de criar novos mecanismos, novas formas de abordar o mercado que está, claramente, desfavorável. Como já tive oportunidade de dizer e reafirmo o nosso problema é muito cultural, muito social, muito de mentalidade e de capacidade de sermos mais trabalhadores, mais criativos e mais empreendedores.
Este Natal 2012 não deve ser o da tristeza, o da revolta, o dos oportunistas de sempre a usarem os mais desfavorecidos para atacarem o Governo, seja ele qual for. Este Natal deve ser o da consciência, o da introspeção social e o início de um 2013 no qual sejamos todos muito melhores do que até aqui fomos… é o ponto de partida para a concretização de um sonho, que desta feita seja real, sustentável e equilibrado chamado Portugal. A todos os votos de um fantástico Natal!




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