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A ementa dos “pobres” para lamentar!

Neste momento de desespero e cansados da incompetência política estão milhares de portugueses a passar fome, sem perspetivas de vida condigna e a viverem abaixo de limiar da pobreza. Em contraste, surge uma notícia, descaradamente vergonhosa, sobre as ementas sugeridas pelos deputados da Assembleia da República.

Albino Gonçalves
17 Dez 2012

Os “pobretanas” dos deputados e funcionários da Assembleia da República, coitados, que trabalham como “desalmados” pelos interesses da nação, exigem que no caderno de encargos façam parte das modestas ementas “bacalhau do Atlântico, pombo torcaz e rola, porco preto alimentado a bolota do Alentejo, lebre, perdiz, café de 1.ª qualidade, whisky de 20 anos, oito marcas de licores, 12 variedades de vinho verde e 15 de tintos alentejanos e Douro”. Leram bem isto? Custa engolir e até causa úlcera duodenal.
Mas esta gente, que é paga pelos sacrificados bolsos dos contribuintes, vai mais longe nas suas exigências. O prato não pode ser repetido num prazo de duas semanas.
Na Assembleia da República de Portugal não existe austeridade, a “troika” desconhece-a em matéria orçamental e como tal há que aproveitar bons manjares.
Centenas de milhares de portugueses não podem ficar passivos ou amorfos com as contrariedades que a vida lhes vai pregando ao testemunhar o mau exemplo político e vindo dos “pregadores de promessas”, sejam eles à esquerda ou à direita. Na mesa, do bom e do melhor, a cor é toda igual.
Já os cidadãos desempregados, singrados por uma vida de trabalho, alimentam-se como podem e quando podem, havendo mesmo situa-
ções em que o pão e a água, uma vez por dia, são as únicas refeições.
Com aquela megalómana ementa alimentar do Parlamento, incute à consciência do cidadão e dos poucos contribuintes declarar a inquietação, assegurar o ilícito do direito de equidade e a falta de ética na partilha dos sacrifícios para combater a austeridade e a gravíssima situação económica de Portugal.
Pergunto a um desempregado, candidato a emprego ou a um precário de aufira pouco mais de 400 euros: Não gosta de estar à boa mesa, recheada de bacalhau do atlântico, porco preto do Alentejo e preferencialmente alimentado à bolota, perdiz, lebre regado com um bom vinho verde ou maduro e para terminar um cafezinho de 1.ª qualidade, whisky “idoso” ou alternado com um saboroso licor? Meu caro infortunado amigo, atualmente só é possível para os “trabalhadores” da Assembleia da República, sejam eles executantes ou executivos, estejam eles em exercício como assessores ou deputados.
A conta? Passamos todos pela caixa para pagar estes luxos gastronómicos e saciar a fome desta gente do espaço público.
Entretanto, sonhamos com a ementa dos “pobres” da Assembleia da República. Como diz o outro “boa vai ela”!




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