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Cinco livros sobre os media para levar para 2013

Entre o que se editou em Portugal em 2012, há alguns livros que não merecem ter o destino mais comum – e, em não raros casos, justo –, o esquecimento. Sobre os media, um tema que não costuma propriamente ocupar grande espaço nas livrarias, importa reparar em cinco obras merecedoras de leitura atenta. Vale a pena levá-las para 2013.

Eduardo Jorge Madureira Lopes
16 Dez 2012

O primeiro é Os superficiais. O que a Internet está a fazer aos nossos cérebros, de Nicholas Carr, escritor residente na Universidade da Califórnia. Nesta obra incontornável, editada pela Gradiva, o autor faz sua uma noção de Marshall McLuhan, que dizia que as tecnologias entorpecem as mesmas faculdades que amplificam, e explica, de um modo assaz persuasivo, contra que efeitos nocivos da Internet nos devemos precaver. Os exemplos são incontáveis. Cite-se um: “Como mostram vários estudos sobre hipertexto e multimédia, a nossa capacidade de aprendizagem pode ficar comprometida quando os nossos cérebros ficam sobrecarregados com vários estímulos online. Mais informação pode significar menos conhecimento”.
Para o ensaísta, é difícil resistir aos apelos da tecnologia, e na nossa era de informação instantânea as vantagens da velocidade e da eficiência podem parecer puras, encontrando-se a sua conveniência para além de qualquer discussão. Porém, garante que continua “a manter a esperança de que nós não nos deixaremos arrastar facilmente para o futuro cujo guião os nossos engenheiros informáticos e programadores de software estão a escrever para nós”.
Tributário desta obra, é, em parte, A civilização do espetáculo, do escritor Mario Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura em 2010, que reflete sobre a circunstância, apontada por Carr, de mais informação poder significar menos conhecimento. Este livro, que recolhe diversos textos, alguns jornalísticos, tem, sobretudo, o valor de um testemunho contra a “civilização do espetáculo”. Mario Vargas Llosa define-a assim: “um mundo onde o primeiro lugar na tabela dos valores vigente é ocupado pelo entretenimento e onde divertir-se, fugir ao aborrecimento, é a paixão universal”. O escritor apressa-se a considerar que “só um puritano fanático poderá censurar os membros de uma sociedade que queira dar consolo, descontração, humor e diversão a vidas geralmente enquadradas em rotinas deprimentes e às vezes embrutecedoras”. No entanto, acrescenta, “converter a propensão natural para passar bons momentos num valor supremo tem consequências inesperadas: a banalização da cultura, a generalização da frivolidade e, no campo da informação, que prolifere o jornalismo irresponsável e do escândalo”. Mario Vargas Llosa julga que “o jornal ou programa que não comungue do altar do espetáculo corre hoje o risco de o perder e dirigir-se apenas a fantasmas”.
Nos bastidores dos telejornais. RTP1, SIC e TVI, um livro do jornalista Adelino Gomes, editado pela Tinta-da-China, é uma interessantíssima investigação sobre a edição dos jornais televisivos das 20 horas das três grandes estações de televisão de Portugal, sem descurar “o pólo das au-
diências”. O estudo, explica Adelino Gomes, tornou evidente que há “um ritual diário de consulta sistemática e prioritária das audiências dos jornais televisivos da véspera e a naturalidade com que as percentagens de agrado ou desagrado eram apontados como guias das opções editoriais” e “um mesmo modelo subjacente à diversidade das vozes a distribuir pelo alinhamento do jornal, o qual hierarquizava os conteúdos não necessariamente pela sua relevância editorial, mas pela ordem mais apropriada à captação de audiência e pela ordem presumida que a concorrência lhe iria atribuir”.
Outro livro, também editado pela Tinta-da-China, que permite conhecer melhor o jornalismo português, é As primeiras mulheres repórteres. Portugal nos anos 60 e 70, da investigadora Isabel Ventura. Depois de recordar como era a vida das mulheres durante o Estado Novo, a autora explica, dando voz a seis jornalistas que trabalhavam em Lisboa, Alice Vieira, Diana Andringa, Edite Soeiro, Leonor Pinhão, Maria Antónia Palla e Maria Teresa Horta, por que vicissitudes tiveram de passar as mulheres para se afirmarem num trabalho tradicionalmente reservado aos homens.
Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência, de David Marçal e Carlos Fiolhais, é um livro muito útil, pois, com abundância de exemplos, ajuda a prevenir contra a falsa
ciência que se encontra na Internet, nos media, nos supermercados, na escola, na saúde e, sim, na ciência. “As pipocas com telemóvel” referidas no título aludem a um vídeo de uma patranha que circulou pela Internet, que mostrava um conjunto de telemóveis a fazerem pipocas. Um exemplo encontrado na Internet de falsa ciência. Nos media, aparecem os horóscopos; nos supermercados, o Actimel, da Danone; na escola, as crianças índigo; na saúde, as curas quânticas. No campo da saúde, há um caso de falsa ciência em Braga. Quem o quiser conhecer, encontra-o na página 156.




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