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Um olhar em redor

Vou aludir hoje a um assunto, não apenas atual mas muito delicado e sensível, ou seja, o reconhecimento da Palestina como Estado observador não-membro da ONU, tecendo em torno deste facto algumas considerações e sabendo, de antemão, não faltar quem discorde delas. Entro directamente no caso em apreço e não posso deixar de manifestar aqui, desde já, o meu repúdio por toda esta farsa, esta hipocrisia reinante na política internacional, aludindo em primeiro lugar à responsabilidade, à incoerência dos EUA, pela demora inconcebível nas respectivas negociações de paz e sua conclusão.

Joaquim Serafim Rodrigues
15 Dez 2012

Um pouco de História, então, para situarmos as coisas no seu devido lugar: a Palestina tem estado no centro da disputa que, há décadas, divide árabes e judeus. O termo “Palestina” deriva de “Filistina”, nome dado pelos gregos à terra dos Filisteus, povo que no séc. XII a.C. ocupava a faixa que se estende entre Telavive e Gaza. A Bíblia denomina-a de Canã ou Terra Santa. Encontrava-se na posse dos cananeus quando foi conquistada pelos Hebreus nos séculos. XIII-XII a.C.
Caiu depois sob a administração do Reino Unido e deu origem aos Estados da Jordânia, em 1947 e de Israel em 1949. A formação do Estado de Israel provocou o êxodo de 1.500.000 palestinianos árabes. Como se justifica não terem sido logo delimitadas as respetivas fronteiras, contando-se, igualmente, com os palestinianos? Consequência: em 1964, foi fundada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Em 1993, foi assinada em Washington uma histórica declaração de princípios entre a OLP e Israel, que abriu caminho ao início da autonomia limitada da Faixa de Gaza e da cidade de Jericó, seguindo-se, em 1994, um acordo geral de autonomia.
Em 2000, os palestinianos desencadearam um processo de luta (“Intifada”), presentemente já são rockets lançados pelo Hamas que atingem Israel e os seus habitantes.
Nada disto força os israelitas a fazer cedências territoriais no processo de paz em discussão. Apenas, conduziu à queda do governo de centro-esquerda liderado por Ehud Barak, que foi substituído por Ariel Sharon, um duro líder do bloco de Direita (Likude) que congelou as negociações com Arafat, para além de ter feito múltiplas incursões militares nos territórios sob administração palestiniana, quer em Gaza quer na Cisjordânia. O Hamas esperava o quê? A reação de Israel representa para o seu povo uma questão de sobrevivência.
Falemos agora um pouco de Israel, cognome dado ao patriarca Jacob. Designa também o povo de Deus enquanto descendente dos 12 filhos de Israel; união religiosa e sagrada das 12 tribos de Israel que em 1400/1200 a.C. se estabeleceram na Palestina e um dos reinos que depois da morte de Salomão (926 a. c.) dissolveu a união pessoal com Judá e com a dinastia de David e que, em 721 a.C. se fundiu com o grande Império Assírio.
Foi David quem venceu os Filisteus e fundou Jerusalém (séc. X a.C.).
Por falar em Jerusalém: antiga capital da Judeia, depois da Palestina e hoje capital do Estado de Israel nas margens do Jordão. Com 160.000 habitantes, dos quais 155.000 na parte atribuída a Israel com o Muro das Lamentações, o Santo Sepulcro e a Mesquita de Omar. Prossi-go: no fim do mandato inglês na Palestina (maio de 1948) os judeus constituíram o estado de Israel, tendo sido logo atacados por seis membros da Liga Árabe, mas como resistiram, com êxito os armistícios de 1949 reconheceram-
-lhe fronteiras muito próximas das que tinham sido precedentemente propostas por uma comissão da ONU (nessa altura as Nações Unidas dispunham ainda de credibilidade e bastante prestígio).
Muito mais haveria por certo a referir acerca de toda esta situação que, mantendo-se sem solução à vista e sendo, como se sabe, geradora de tanta tragédia, envergonha sobremaneira a própria Humanidade. Um Estado Palestiniano? Sem dúvida – mas assente em bases sólidas e definitivas, sem esquecer que o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmud Abbas não conseguiu até hoje conciliar, ou reconciliar, as duas fações rivais, a Fatah e o Hamas (este já referido), sem o que, não controla mais do que sessenta por cento do território pretendido.
Finalizo expressando a minha admiração pelo Estado de Israel, pelos judeus regressados finalmente à terra e ao lugar que lhes pertence, pela sua capacidade de sofrimento, pela sua coragem, pelo seu espírito empreendedor, capazes de arrancarem flores duma qualquer pedra (passe a imagem) bastando-se a si mesmos e desconhecendo-se, até hoje, a existência de qualquer traidor à sua pátria, coisa vulgar no Ocidente.
Aos que não gostaram de tudo quanto expressei, a minha compreensão sincera. E é tudo por hoje.




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