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Nossa Senhora do Ó – 18 de dezembro

Nossa Senhora do Ó é uma devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, remontando à época do X Concílio, presidido pelo arcebispo Santo Eugénio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de dezembro. Sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, este determinou, por sua vez, que essa festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. Pelo facto de, nas vésperas, se proferirem as antífonas maiores, iniciadas pela exclamação (ou suspiro) “Oh!”, o povo teria passado a denominar essa solenidade como Nossa Senhora do Ó.

Maria Fernanda Barroca
15 Dez 2012

Em Portugal, o culto à Expectação do Parto, ou a Nossa Senhora do Ó, ter-se-ia iniciado em Tomar.
A freguesia de São Pedro de Tomar conserva um grande rol de tradições, que são preservadas e divulgadas pelos seus habitantes, dando assim um importante contributo à cultura nacional.
 A Capela de Nossa Senhora do Ó ou Capela da Expectação, situa-se junto ao rio Nabão, em São Pedro da Beberriqueira. Está colocada no altar-mor e é considerada muito milagrosa. É de pedra e tem quatro palmos de altura.
Segundo a lenda, a origem desta imagem é prodigiosa e notável.
Havia em Tomar um fidalgo chamado João Comes da Costa, casado com D. Antónia da Costa. Estes fidalgos eram devotíssimos de Nossa Senhora e por essa razão, mandaram erigir-lhe uma ermida numa quinta, que tinham junto ao rio Nabão, onde colocaram a imagem de Nossa Senhora do Ó que foi achada do seguinte modo:
Como já se disse, D. Antónia era devotíssima de Nossa Senhora. A certa altura, sonhou várias noites que, na igreja do Sobral, debaixo da pia da água benta, estava enterrada uma imagem da Virgem. Pediu, ao marido que mandasse cavar no tal sítio, para ver se descobriria a imagem dos seus sonhos. O marido conseguiu a licença do prelado de Tomar, e descobriu-se a sagrada imagem em 16 do mês de outubro do ano de 1626.
Era tão grande era o desejo de a expor à veneração pública, que não descansou até que o marido conseguisse licença para erigir e fundar a ermida, onde, em 1628, foi colocada a sagrada imagem.
A imagem de Nossa Senhora do Ó é apresentada com a mão esquerda apoiada sobre o ventre volumoso, em fase final de gravidez. A mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Encontram-se imagens com esta mão segurando um livro aberto ou também uma fonte, ambos significando a fonte da vida.
 No começo do século XIX, mudanças no culto mariano começavam a dar muita atenção ao dogma da Imaculada Conceição, o que, de certo modo contrariava ver Nossa Senhora em estado de adiantada gravidez.
Com os costumes moralista da época, muitas imagens foram trocadas pela de Nossa Senhora do Bom Parto, vestida de freira, com o ventre disfarçado pela roupa.
Atualmente, muitas raparigas parece que fazem gala de mostrar a sua gravidez, aparecendo, em tempo de verão com o ventre sem roupa. Ninguém pode saber se temos ali uma gravidez obtida no matrimónio ou se a mãe é solteira. A verdade é que nada tira à grandeza da maternidade. Só me resta acrescentar algo pessoal: é muito pouco estético; um vestido ou uma túnica larga, disfarça (não por vergonha) o ventre dilatado e salvaguarda a estética.
Somente no fim do século XX se voltou a falar e pesquisar o assunto, tendo-se encontrado imagens antigas enterradas sob o altar das igrejas.

Na Diocese de Braga há 2 freguesias, com igrejas onde é venerada; na Diocese do Porto há 6 freguesias que lhe têm grande devoção; só refiro estas duas, e não muitas outras que existem, porque o Diário do Minho é de Braga e eu sou do Porto.




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