Fotografia:
Gargântua

Volto, com o Gargântua de Rabelais, à gastronomia. Pedem Leitores as estórias contadas em Seia. Leitores que teimam em ler as verdades que, inconformado e não rendido, aqui proclamo. Verdades que os “conformados”, rendidos à paspalhice governativa, insistem em ser má língua, como se denunciar a desumana prepotência incompetente, com exemplos irrefutáveis, não fosse dever e recusa ao render-me à escumalha. Lamento os ”mornos, [os] nem frio nem quente [que], vomitarei da minha boca (Ap.3.14-16).

Gonçalo dos Reis Torgal
15 Dez 2012

Satisfaço os que usaram o e mail, em tempo “claramente visto” sob o “boneco”, de onde hoje o “pifaram”. Isto para usar o linguajar do impagável “Braga por um canudo”, em homenagem ao autor, a quem, se me permitir, dedico esta Crónica, rendido ao seu pertinente “ridendo castigat mores”.
Ridendo que justifica as estórias de rir levadas a Seia. O Gargântua decorre do prefácio de Ramada Curto, no inesquecível Pantagruel, de Bertha Rosa Limpo quando diz: “Escuso de lhe dizer a si, mulher inteligente e culta, que estes livros antigos pertencem ao número limitado das obras primas de que se orgulha o espírito humano. Devem-se à pena de François Rabelais que foi frade, cura de Medon, helenista, latinista, amigo de Erasmo de Roterdão, glória das letras francesas (…) do movimento de ideias de onde derivou o mundo moderno.” (…) “Rabelais desconfiava, e com razão, dos magros, dos raquíticos, dos que têm fastio e [sobretudo] dos que não riem.”
Explicado está o, na ante Ceia de Natal (se houver Ceia de Natal), coisas de rir e comer. Que aproveitem.
Na Estrela disse de um Gil, quiçá Beirão, que nos dá uma pastora, em auto de seu nome, Mofina Mendes, que, na falta de senso dos seus ovos de pata e bailante pote de azeite, engendra mais Filosofias de que KANT, lembrando outro poeta e outra moçoila – a pequena suja de Álvaro de Campos na TABACARIA, e a exclamação:
Come Chocolates pequena; / Come chocolates! / Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.”
Na linha deste pouco senso vem uma figura da gente que conheci na não distante Gouveia. Era meio apoucado pelos copos em corrupio. Frequentava um Café, cujo nome deturpo. Seja TAL & QUAL de um Senhor Qualquer. O mariola todos os dias ali bebia o copinho de aguardente, generosa oferta da casa. Aquecia o corpo, aguçava a verve. Agradecia com a quadra:
Viva o Café Tal & Qual
Que é o melhor de Portugal
E Viva o Senhor Qualquer,
Que tem uma linda Mulher!!!!
Um dia o tal Senhor do tal Café estava mal disposto. Entra o nosso Homem e a quadra habitual.
Mal lançado o:
Viva o Café Tal & Qual
Que é o melhor de Portugal
                             
Veio um: – Põe-te na rua. Não chateies.
Não se desmancha o poeta: 
E Viva o Senhor Qualquer,
Que tem uma linda Mulher!!!!
Que é de quem na quer!!!!
Escândalo! Homem à GNR. Ameaças do Tenente, Chefe do Posto.
Sem temor, repentina:
Alto lá, Senhor Tenente,
Não seja tão arrogante.
Porque dizem que ela em tempo
 Também já foi sua amante.
Vilhena assinaria com cartoon a condizer.
De Gouveia a Folgosinho e à figura impar do Dr. António Abrantes. Duas estórias, que em Coimbra fizeram história. Feito actos envia ao pai Telegrama: “Actos Brilhantes! /Passei com DEZ/António Abrantes! / Dinheiro quanto antes!”. Chumbado, outro: “- Exame. Mestres entusiasmados pedem repita!” Se verdade, plagiou o Marquês de Tomar.
Mondego e outras Beiras. Montemor. “Corre [o] Mondego devagarinho”, venerador do Castelo Velho que Afonso Duarte disse “guardador da Vila Morta e de um mar extinto”. Dali uma figura que mais parece lenda do que real.
Zé Maria Portugal (ZMP). O Dr. Abrantes era, diziam, quem melhor transmitia o que fora, De imensas estórias, uma só. Vinham da caça o ZMP e ladina cadela de coelhos. Passa por carro de bois com carrada de mato. A cadelita ladra e salta à volta. ZMP diz: – Nesse mato vai coelho ou lebre. Forquilhas furam o mato. Nada. ZMP insiste: – Mato ao chão. Eu pago. Espeta daqui, espeta dali, cadela aos saltos, coelho nada. O Zé segue atormentado. Pára! Volta-se para o carreiro: – Como se chama? – António Coelho. – Aí está! Esta cadelinha nunca me enganou.
Desobriguei-me. Para o sapatinho, de velhos Jornais de Espanha:
No El Retorno: Ricaço refastelado a comer. Pobre olha. – Estou cheio e fome. – Bem, bem, não me politize a digestão. Do Hermano Lobo: O Juiz: – Conhece os seus direitos? – Sim, Senhor! – Esqueça-os. O Político: – Nós ou o caos! – O Caos, o caos! – Grita a multidão. – É o mesmo. Somos nós! O Poder: – Tranquilos. Não se passa nada. Se passasse já o tínhamos proibido.
SANTO NATAL.




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