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Recordações em números e emoções

Esta época completa uma década que me associei a um projeto desportivo: o voleibol no SC Braga. Enquanto treinador, nesta década, tive o privilégio de acompanhar 4 gerações de atletas, num total de 61 atletas, cuja proveniência é, na quase totalidade, da cidade de Braga. A avaliação que faço é muito positiva, não só pelas conquistas que todos conseguimos, mas também pelos intensos e diversos ensinamentos que esta experiência me proporciona, diariamente.

Carlos Dias
14 Dez 2012

Posso dizer que, em muitos momentos, me sinto um privilegiado, eventualmente, como a grande maioria dos treinadores se deverá sentir, porque as emoções e as sensações de liderar um projeto que envolve a gestão de pessoas enriquece e apaixona, estimula e dececiona, entristece e alegra, motiva e desaponta mas, acima de tudo, estas emoções são como uma fonte de realização de valorização pessoal e coletiva. O desporto propicia sensações muito intensas. Como todos sabemos, o que é intenso é mais desgastante, mas também mais reconfortante.
Os treinadores vivem nesta luta constante entre o dever e o prazer. A constante melhoria das competências, com forte influência da autodisciplina, desenvolve a capacidade de superação e de gerir melhor a frustração, a adversidade e as dificuldades da vida, isto é tão mas importante para os treinadores como para os atletas. O conceito do prazer está subjacente à prática de atividade desportiva, essencialmente, no cumprimento de determinados objetivos, a consecução de determinadas metas, na alegria, no convívio, nas amizades, no contentamento do dever cumprido, no esforço diário, no reconhecimento do trabalho desenvolvido, são todas as sensações que implicam com a satisfação.
Nesta década ministrei 1.338 unidades de treino, num total de mais de 2.100 horas. Orientei 368 jogos e obtivemos 342 vitórias. Conquistamos 6 títulos nacionais no departamento de voleibol do SC Braga, em que 4 desses títulos foram conquistados pelas equipas que orientei. Estivemos nove vezes consecutivas nas fases finais nacionais, com 8 lugares no pódio. Tenho o privilégio de trabalhar com 4 amigos/adjuntos de grande qualidade que colaboram/
/colaboraram comigo e partilharam muito do seu tempo nesta missão. Tive e tenho o orgulho de partilhar com alguns amigos colaboradores/diretores alguns momentos inesquecíveis. Em conclusão, tenho o imenso prazer de trabalhar em prol de um projeto para e com a juventude da minha cidade, com um grupo de pessoas extraordinárias, na modalidade que mais gosto, o voleibol.
No meu processo desportivo, enquanto jogador, tive o privilégio de comungar muito tempo com treinadores de referência (Pedro Oliveira, o meu primeiro treinador no voleibol, Carlos Prata, António Rijo, Luis Resende, Francisco Costa, José Moreira, Rui Faria e Radamés Lattari), nos clubes e em seleções, que me proporcionaram ensinamentos extraordinários, que ainda hoje procuro recordar, para me ajudar a moldar e cumprir esta minha tarefa.
Face às minhas responsabilidades pessoais e profissionais questiono-me, muitas vezes, da importância desta atividade, o impacto que ela consegue produzir, e se eventualmente a sociedade bracarense consegue observar e valorizar este trabalho “obscuro”. Não consigo mensurar a carga que isto produz na sociedade, mas ao fim deste tempo no SC Braga tenho a grata satisfação de tentar cumprir, com o máximo rigor, o meu “dever”.




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