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O Robin dos Bosques português

É sobejamente conhecido o Robin dos Bosques português, ou seja o Zé do Telhado. Este cavalheiro, ali da zona de Penafiel, nascido há quase duzentos anos e companheiro de cárcere do nosso Camilo Castelo Branco, foi um honrado militar do seu tempo, condecorado com a medalha da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração que ainda hoje vigora em Portugal.

Artur Soares
14 Dez 2012

Apanhado em várias aventuras sociais, entre elas a revolta da Maria da Fonte; assaltos organizados compostos por quadrilha devidamente treinada com a mira de “roubar aos ricos para entregar aos pobres”, por isso perseguido, refugia-se logo que pode em Espanha, Brasil e finalmente é apanhado cá e condenado a cumprir prisão em Malange-Angola, onde faleceu aos 57 anos de idade, sendo-lhe erguido um mausoléu, objeto de romagens.
O nosso Robin dos Bosques, cuja primeira profissão era capador de animais domésticos, falece ainda novo e como cidadão português, sábio: militar graduado, defensor acérrimo dos seus ideais, chefe de quadrilha para assaltos aos ricos e a distribuir pelos pobres.
Alguns estudiosos deste homem, afirmam que na quadrilha que chefiava, um dos elementos seria o padre Torquato José Coelho de Magalhães, gente que não foi condenada por se “não provar a sua ação ao lado do Zé do Telhado”.
Como se pode calcular, o que atrás se afirma é uma gota no oceano, da vida que viveu o nosso militar condecorado, o ladrão em prol dos pobres, a fuga e a sua deportação, por julgamento no Marco de Canaveses, iniciado no dia 25 de abril de 1861.
Pelo que se expõe, já “no tempo dos Miguelistas” se roubava, se assaltava, se enviavam criminosos para as ex-províncias ultramarinas, a cumprir penas de prisão. Isto quer dizer, que há duzentos anos atrás existiam Tribunais, Justiça e as respetivas Leis que, bem ou mal, eram aplicadas. Existiam leis e criminosos.
Sendo assim, e Portugal até aboliu a pena de morte, tantos anos depois em que temos mostrado ao mundo que somos um povo relativamente organizado, bom, justo e trabalhador… quais as razões por que o crime aumentou fabulosamente, crime organizado, pensado, esmiuçado, consciente e trabalhado sob bons perfumes ou desodorizantes e, ninguém prende ninguém, as leis não se aplicam e os Tribunais, portanto, não julgam?
Temos crimes na compra de submarinos e crimes em Universidades; temos corrupções de autarcas e de políticos bem conhecidos; temos as queixas tardias nos casos de pedofilia em Tribunais; temos crianças eletrocutadas e afogadas em locais públicos; temos o grande problema das crianças assassinadas na Madeira e do autarca queimado no seu automóvel e a sua cabeça roubada do Instituto de Medicina Legal; temos nesta hora os que emagreceram a banca – não para dar aos pobres – mas que o povo agora paga por culpas do fugidio Sócrates e por este licenciado tardio e sem curriculum, Passos Coelho; temos o caso da Face Oculta e temos o habilidoso Vale e Azevedo que fez totós os milhares de sócios do clube que chefiava!
Ora então só o Zé do Telhado é que teve de ser perseguido, julgado e punido?
Estes modernos Zés do Telhado, que roubam de luvas, de camisa engomada, de terno e sem pistola, ficam-se para trás, caduca o tempo de os julgarem e as autoridades refastelam-se em suas poltronas?
Quem, quantos dirigentes em Portugal têm moral e a força da razão, para julgar um mau condutor de carros ou punir uma infração ao código da estrada, ou mesmo julgar aquela mulher que, por não ter dinheiro, roubou do supermercado arroz e ovos para dar aos filhos?
Mas então a crise não deixa aplicar a justiça a quem tem de ser julgado?
Será que o único setor sem crise é aquele que fabrica criminosos? Então legislem. Legalizem-nos com horário de trabalho, com dia de folga, com sindicato e coloquem-nos na Caixa Geral de Aposentações onde já estão bastantes!
Grande Zé do Telhado! Grande Robin dos Bosques português! Militar condecorado, caridoso aos pobres, preso e esfomeado! Em nada te assemelhas, Zé do Telhado, com estes Robins atuais! A tua rapacidade era milho de pardais; os Robins de hoje é de euros e dólares aos milhões e ainda não foram fabricados os travões que os possam fazer parar.




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