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Internacionalizar Braga. Que processo?

A inter-relação entre cidade e espaço global remete-nos para o nascimento de um novo desafio: a projeção internacional das cidades. A internacionalização não é uma opção, é uma incontestável força dinamizadora e sustentadora da economia, é a possibilidade de atrair investimentos e enquadramento como destino turístico. E qual a estratégia de internacionalização? A estratégia passa pela seleção e potencialização de um conjunto de atributos específicos de cada território, cujo reconhecimento permite definir as vantagens competitivas sustentáveis baseadas em recursos inimitáveis.

Fátima Pereira
14 Dez 2012

Devem considerar que existe um território intermunicipal e devem estabelecer redes de cooperação, sinergias e modos de complementaridade mútua. Por fim, devem os territórios assumir o seu papel no desenvolvimento e é crucial a afirmação de uma “cultura territorial” e uma lógica de complementaridade.
E em Braga? Assistimos a um investimento na cultura; na reabilitação das memórias coletivas e na identidade e a uma maior importância atribuída ao lugar, enquanto elemento diferenciador e por tal potenciador ao nível da competitividade? Não! Assiste-se à padronização do centro histórico resultado das obras de regeneração. E que investimento é feito no comércio tradicional, numa cidade que se poderia afirmar nesse setor?! Assistimos ao abandono de lojas históricas que deveriam ser alvo de uma estratégia como lugares turísticos.
A estratégia das cidades deixou de se centrar na expansão para se centrar na qualificação, potencialização e requalificação de espaços e memórias urbanas. Em Braga, assistimos a uma desenfreada necessidade de expansão em prol da consolidação da cidade existente, sendo a localização da Pousada da Juventude uma manifesta prova de tal política. Entretanto, já foi colmatado o défice da saída do Hospital e da falta de uma estratégia que deveria estar logo operacional aquando a sua saída? Não!
Mas a competitividade depende também da capacidade de inserção e manutenção a longo prazo no mercado global. As cidades hoje extravasam as suas fronteiras, superam a sua escala e agrupam-se consoante os seus interesses e necessidades, cooperando e/ou competindo entre si. E na verdade, o que tem contribuído o Quadrilátero Urbano para alcançar tal objetivo?! Que resultados?!
Braga deveria procurar obter reconhecimento com títulos e eventos internacionais como a Capital Europeia da Cultura, procurando a classificação e potencialização do património que detém. De quantos bens patrimoniais tem a gestão municipal solicitado classificação?! Neste âmbito, a Capital da Juventude foi uma oportunidade perdida, e um grave exemplo de falta de cooperação entre cidades é o aviso de adiamento que vai fazer coincidir o encerramento da CEJ com o da CEC. Inacreditável!
Devia o município reconhecer que a competitividade e a coesão envolve os recursos endógenos como a cultura, a identidade, o património numa perspetiva de especialização na diferenciação aliado a estratégias de cooperação.




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