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Realismo precisa-se

Por uma questão de princípio e principalmente porque não sou técnico, não costumo comentar as opções técnicas dos treinadores. Tenho as minhas opiniões, mas acho que divulga-las em público é contribuir para aquele ambiente de feira que carateriza alguns clubes, nomeadamente os chamados “grandes” quando estão em crise de resultados. Tal como afirmei já muitas vezes, não quero incluir o meu clube em tal designação porque isso implicaria comungar de certos “vícios” que eu não gostava de ver imitados. E o maior desses vícios é, a meu ver, o excesso de “entendidos”. Obviamente, defendo o espírito crítico.

Manuel Cardoso
13 Dez 2012

Defendo a liberdade de opinião porque a ditadura já lá vai há muitos anos. Mas uma coisa é defender uma opinião outra é não entender que a estabilidade é um fator fundamental para o sucesso. Se não gosto de imitar os erros dos grandes, também é certo que devemos estar atentos aos seus méritos. Então, repare-se nisto: o FC do Porto ganhou, salvo erro, dezanove campeonatos nas últimas trinta épocas e é opinião unânime que a grande arma que usou foi a organização interna, que permite uma grande estabilidade no clube. Se Pinto da Costa fosse mais sensível às críticas dos adeptos já teria despedido Vitor Pereira várias vezes. Não o fez porque ele sabe que deve preservar, o mais possível a estabilidade.
Nós, em Braga estamos saudavelmente mal habituados nos últimos anos. Começamos a pensar “à grande” mas isso tem um lado negativo: excesso de ambição; levantar os pés do chão; exigir demasiado e perder a paciência.
É certo que Domingos e Leonardo Jardim deixaram saudades. Como deixaram noutros tempos Manuel Cajuda ou Jesualdo Ferreira. Mas o seu tempo passou como passam todos. E, neste momento, o nosso treinador é José Peseiro. Eu acredito que ele ainda pode levar o SC Braga a ganhar algo esta época e a garantir um lugar no pódio. Talvez a esmagadora vitória em Coimbra seja um sinal nesse sentido. Eu acredito que sim.
Aos meus amigos e camaradas mais “críticos” gostava de recordar como Leonardo Jardim também foi criticado, assim como Domingos. Recorde-se, por exemplo a forma desastrosa como perdemos com aquela equipa sueca para a Liga Europa. Teria feito bem A. Salvador se tivesse cedido às pressões desses tempos? Obviamente, acho que não.
Há uns anos passamos uma época penosa com três treinadores. Não ganhamos nada com esses despedimentos e penso que Salvador aprendeu com o erro. José Peseiro, na minha opinião também cometeu erros em jogos importantes. Mas demos-lhe também o direito de aprender com os erros. Por exemplo, Mossoró em Coimbra mostrou que talvez pudesse ter sido mais vezes utilizado.
Há muito por onde evoluir e o treinador saberá perfeitamente disso. Talvez ele próprio tenha muito por onde evoluir. Mas acabar com o seu trabalho significaria destruir o que de bom se tem feito. Há duas taças para ganhar e um lugar na Champions para conquistar. É pouco? Obviamente também gostava de ser campeão e ir mais longe na Champions League. Mas, com as condições de que dispomos, seria realista exigir tais conquistas?




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