Fotografia:
O Presépio 2

3 As principais figuras do presépio são, indiscutivelmente, Jesus, Maria e José. Essas não devem faltar nunca.Há quem o enriqueça com as figuras do boi e do jumento, dos pastores, dos magos e até de temas locais, como acontece, sobretudo, em presépios animados.
 Como escrevi em artigo anterior, a presença do boi e do jumento não é mencionada pelos Evangelhos. Todavia, desde muito cedo aparecem tais figuras na representação do presépio. Tal presença resultou de uma leitura cruzada de Isaías 1, 3 com Habacuc 3, 2.
 

Silva Araújo
13 Dez 2012

4. Em Portugal a construção de Presépios teve grande incremento no século XVIII com escultores e oleiros. Foram célebres as escolas de Mafra e de Estremoz. Da olaria de Estremoz sobressaíram os presépios das Irmãs Flores e de Maria Luísa Conceição.
Houve-os que tiveram fama pelo seu valor artístico, como os de Joaquim Machado de Castro e dos seus discípulos António Ferreira e Barros Laborão.
No século XX são de realçar os de Maria Amélia Carvalheira, de Maria Sidónio e de José Franco.
 
Sabe-se, no nosso País, de um presépio feito em 1558 pelo escultor Bastão D. Artiaga para a Irmandade dos Livreiros (Agência Ecclesia, 23 de dezembro de 2009).
Diogo Macedo afirma que no Convento Dominicano de S. Salvador existia já um presépio no século XVI e Luís da Câmara Cascudo afirma que nesse convento as freiras faziam presépios pelo menos desde 1391.
Na Basílica da Estrela, em Lisboa, havia um, de autor desconhecido, com mais de meio milhar de figuras.
Dos artísticos presépios setecentistas conservam–se o da Sé de Lisboa (de Machado de Castro, acrescentado por J. J. de Barros) e o do Marquês de Borba (de F. J. Rodrigues).
No Museu Nacional de Arte Antiga encontram-
-se os dos marqueses de Belas e de S. Vicente de Fora, ambos da autoria de Machado de Castro, e o da Madre de Deus, esculpido por António Ferreira e Machado de Castro.
São célebres, também, os existentes no Museu Grão Vasco, em Viseu.
Em Braga, que eu saiba, há presépios de Machado de Castro na igreja de Santa Cruz e na Sé.
De outros presépios existentes em Portugal fala o livro de Arnaldo Pinto Cardoso «O presépio barroco português».
 
Desde há uns tempos para cá teem ganho notoriedade os presépios dos barristas do concelho de Barcelos, com trabalhos de Rosa Ramalho, Júlia Ramalho, Mistério, Júlia Côta, entre outros.
 
Localidades há onde se fazem presépios movimentados, como acontece com os de Montariol, de Mire de Tibães, de Palmeira, do Patronato da Sé, de Merelim S. Paio, para falar só de Braga e dos que de momento me ocorrem.
 
Na paróquia de Garfe, no arciprestado da Póvoa de Lanhoso, desde há onze anos que se converte a localidade na aldeia dos presépios, havendo-os montados nos diversos lugares. Este ano são em número de 15 e podem ser vistos entre 16 de dezembro e 6 de janeiro.
 
De entre os presépios ao vivo celebrizou-se o de Priscos, nos arredores de Braga, construído por iniciativa do P. João Torres, que ocupa uma área de 30 mil metros quadrados e procura não apenas reproduzir as circunstâncias em que nasceu Jesus mas também recriar o ambiente sócio-cultural daquela época. É o maior presépio ao vivo da Europa. Neste sétimo ano reúne oito centenas de figurantes num total de 90 cenários. É inaugurado em 23 de dezembro e volta a abrir nos dias 25 e 30 deste mesmo mês e nos dias 1, 3 e 5 de janeiro.
 
Nota: Um Amigo disse-me que o vocábulo presépio é de origem latina e não hebraica. Fica a informação.




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