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A lei da moderação e do equilíbrio (II)

A moderação é o segredo da sobrevivência. Fuller escreveu: “A maior fraqueza do homem talvez seja a sua falta de coragem para dizer “não”. Essa fraqueza mostra-se de mil maneiras – ser incapaz de dizer não às tentações, às vezes muito bem disfarçadas, que aparecem no dia a dia, no local de trabalho, na rua ou nos sítios de divertimento. Há as tentações de trabalhar para além das nossas forças, da ambição desmedida ou até de procurar ou aceitar um cargo só porque alguns amigos pensam que deve ser “agarrado”, mesmo sem o merecer, mas apenas levado pela ânsia do poder, atropelando outros mais qualificados. A moderação é o fio de seda que segura o colar de todas as virtudes.

Artur Gonçalves Fernandes
13 Dez 2012

Todos sabemos que a queda dos grandes impérios se deveu, não tanto à força superior dos adversários, mas sobretudo aos próprios exageros (a dissolução dos costumes ou dos valores educacionais e culturais, os hábitos de vida na opulência desumana e nos prazeres pessoais e sociais altamente excessivos que originam estados de indolência e desleixo em relação aos seus deveres) que os enfraqueceram internamente e os tornaram presa fácil para a cobiça dos povos invasores. Presentemente, trespassa a nossa sociedade uma sensação de angústia, de inquietação, de revolta e de indignação contra tanta injustiça, insegurança, exploração dos mais desfavorecidos e mais vulneráveis que se sentem amargurados e, muitas vezes, impotentes perante as suas dificuldades, prevendo um futuro negro e assustador para si e para os seus. A humanidade parece próspera, mas por baixo desse verniz de riqueza e de desenvolvimento que exala nalgumas sociedades está muita morbidez moral que as torna incoerentes, falsas e hipócritas. Trocou-se o ouro real, de altíssimo quilate, pela sua imitação enganosa. É o caso dos autênticos valores da moral, da educação, do carácter, da integridade e de todos os princípios éticos e cívicos que foram substituídos por comportamentos e atitudes aberrantes e antinaturais. Estamos a caminhar para a Idade das Trevas, poucos se apercebendo disso. A ciência e a tecnologia avançam, mas tudo o resto se deteriora e desgasta. Quando não há harmonia, há doença, angústia, relações pouco ou nada convenientes. Quando há equilíbrio, existe, não só tranquilidade, paz de espírito, sentimento esperançoso de valorização pessoal, mas também mais sucessos que fracassos, mais projetos acabados que abandonados, relações mais amistosas com a família e com os outros e, em suma, uma alegria sã com tudo a correr bem. Tal como o equilíbrio dos vários componentes na gasolina de automóvel determina a suavidade com que o motor trabalha, assim o equilíbrio dos principais elementos da nossa vida faz com que ela corra serenamente.
Quando na vida houver ansiedade, pesar, preocupação, intranquilidade de consciência, mal-estar psíquico ou físico, haverá de certeza qualquer desequilíbrio (por defeito ou por excesso) que urge corrigir. Se alguém está a trabalhar horas demasiadas deixa de ter o descanso retemperador, o ar puro e o exercício físico e mental de que necessita. Se qualquer pessoa vai a festas de mais ou bebe demasiado, não tem hipótese de se entregar a outras atividades culturais ou psíquicas mais equilibradas e, então, seria benéfico fazer uma grande pausa e passar algumas horas a ler, ouvir música e passear, para, de algum modo, compensar aqueles outros tempos de frivolidade. Quando o nosso equilíbrio é perturbado, sentimo-nos infelizes. Quando estamos de harmonia connosco próprios andamos com o aspeto perfeitamente natural, trabalhando com satisfação. Então, sabemos o que é a felicidade.




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