Fotografia:
A Rampa, a avestruz e a oportunidade política!

Um tema que foi trazido à praça pública nos últimos tempos e que me é especialmente querido é a realização ou não da Rampa da Falperra em 2013. Ora, importa aqui realçar que sou, fui e serei sempre um homem dos automóveis, nascido e criado no Clube Automóvel do Minho, sócio efetivo do mesmo, ex dirigente e ex-diretor de Prova com as cores desse mesmo clube. Quis o destino e a aritmética política interna do clube que a minha carreira desportiva passasse, provisoriamente, à margem da atividade do mesmo.

Ramiro Brito
12 Dez 2012

Cumpre aqui também realçar que a Rampa da Falperra sempre foi e sempre será um ícone do desporto motorizado em Portugal e na Europa, assim como um evento de grande relevo turístico desportivo para a região. É um daqueles eventos que deve ser mantido e no qual vale a pena apostar, desde logo porque gera riqueza para a região e para o comércio local. Quanto a isso julgo que ninguém tem dúvidas e todos são consensuais em considerar este um evento estratégico para Braga e para Portugal.
A questão que hoje se coloca é sobre a sustentabilidade financeira da mesma, ou seja, trocando em miúdos, saber se vai haver dinheiro para garantir a realização deste evento. Diz o presidente do Clube Automóvel do Minho que sem apoio da Câmara Municipal de Braga não será possível realizá-la. Diz a Câmara uma mão cheia de nada e diz Ricardo Rio que se for eleito presidente a Rampa se realizará porque será devidamente apoiada.
No que me diz respeito, tudo o que for apoio aos desportos motorizados tem o meu vivo e efusivo apoio e se o assunto for a Rampa mais efusivo e perspicaz esse apoio será. A questão aqui é que nem o CAM pode cruzar os braços de dizer que se não o apoiarem não faz a Rampa, nem a Câmara se pode abster de falar sobre o assunto, nem Ricardo Rio pode prometer, em consciência, que angariará os apoios necessários para realizar este evento.
A verdade é que o avanço dos tempos obriga a um avanço de mentalidades, a uma visão estratégica que permita adaptar os “produtos” a novas realidades. Essa é, desde logo, a característica de que falta dotar a Rampa da Falperra… a saber… torná-la num produto. Para isso não basta registar a marca, é necessário envolver várias entidades da cidade, públicas e privadas, de forma a que este evento se torne num produto apetecível para ser vendido. Isto pode fazer-se sem investimento… apenas com criatividade e visão de mercado. Certo é que a Rampa não pode ser só um evento desportivo, tem de ser um evento social e comercial… tem de ter interesse económico.
A Câmara Municipal de Braga não pode, por sua vez, fazer como a avestruz e fingir que não é nada com ela. A verdade é que este evento, apesar de mal explorado e mal divulgado, é um ícone da cidade, é um polo gerador de atividade económica e é um gerador de atividade turística da região, pelo que não pode pura e simplesmente ser ignorado com a ligeireza com que o poder autárquico o faz. Provavelmente, uma melhor ponderação nas verbas gastas no futebol e conseguir-
-se-ia prestar aqui um apoio mais efetivo que ajudasse a superar as dificuldades.
Quanto a Ricardo Rio, eu não ponho em causa a vontade em querer ajudar o CAM a organizar este evento, nem a perspicácia de perceber a sua importância para a cidade, mas em consciência e sem conhecer a realidade da Câmara Municipal no que se refere a contas, não pode prometer apoios nem verbas. Pode e deve prometer trabalho, empenho e, se a conjuntura assim o permitir, apoios efetivos. Portugal e Braga precisam de por os pés na terra e isso só se faz mostrando o retrato do país e da cidade real e não uma ficção.
Sinceramente, em tudo o que aconteceu após as declarações do CAM, todos ficaram mal na fotografia, o primeiro porque quer persistir no erro que tanto lhe tem tirado e não percebe que caminha para o abismo, o segundo porque quer continuar a torrar milhões em futebol e não consegue perceber a importância deste evento para a cidade e o terceiro porque, apesar da boa leitura que fez do evento em si, quis logo faturar politicamente às custas do mesmo.
Precisamos e exigimos mais de todos…




Notícias relacionadas


Scroll Up