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A câmara e as medalhas

É já velha tradição da Câmara de Braga condecorar, a 5 de dezembro, Dia da Cidade, com medalhas de mérito municipal, várias personalidades e entidades. A propósito da cerimónia do presente ano, lia-se neste jornal de 23/11/2012: A proposta das condecorações municipais – a atribuir a 5 de Dezembro, dia do padroeiro da cidade – foram aprovadas na quinta-feira pelo Executivo Municipal, cuja maioria socialista recusou acrescentar as propostas apresentadas pela Coligação «Juntos por Braga».

Dinis Salgado
12 Dez 2012

No dia 26/11/2012, neste mesmo jornal, Ricardo Rio, líder da Coligação, recorda que das 12 individualidades e três instituições de relevo que faziam parte de sua proposta, só três nomes se juntaram aos da proposta inicial do presidente da Câmara.
Ora, face à controvérsia gerada em tomo das referidas propostas, apraz fazer algumas reflexões, pertinentes e necessárias:
1 –  A escolha das entidades e individualidades devia estar a cargo de uma  Comissão de Honra Municipal, formada por bracarenses de reconhecido mérito pessoal, profissional e social. Como esta, penso, não tem sido a prática seguida, a referida escolha devia, então, resultar do consenso entre as forças políticas representadas na Assembleia Municipal;
2 – Para que o cidadão comum possa aquilatar das razões que originaram o protesto da Coligação «Juntos por Braga», seria útil e categórica a divulgação pública das individualidades e instituições constantes da sua proposta. Só, assim, os bracarenses podiam formar corretamente os seus juízos de valor sobre a referida rejeição:
3 – Penso que, em questões de bem-comum, cidadania, generosidade e solidariedade social é bom não esquecermos que o que deve prevalecer é sempre o interesse coletivo. Como tal, devem sempre ser candidatas à condecoração todas as pessoas e instituições que, desinteressada e esforçadamente, lutam e labutam pelos interesses de toda a comunidade;
4 – Porque sou, por natureza e formação, avesso a condecorações, nacionais, regionais ou locais, mormente, pelo caráter de folclorismo, incensação e populismo que, quase sempre, as enforma, entendo que, no momento de grave crise económica em que vivem muitas famílias bracarenses, os dinheiros gastos nestas cerimónias mereciam melhor aplicação;
5 – Ademais, não percebo porque, quase sempre, se condecoram homens e instituições só porque desempenham, mesmo que exemplarmente, as funções que lhes foram destinadas. Depois, dada a fulanização e vulgarização em que caíram estas cerimónias, quer a nível nacional, quer regional e local, é oportuno e pedagógico ouvir o que delas pensam os poetas António Aleixo e Carlos Tê:

Condecoro o presidente
E sabem porque razão?
Porque deu a tanta gente
Tanta condecoração!

Quem és tu? De onde vens?
Conta-me lá os teus feitos.
Que nunca vi Pátria assim,
Pequena e com tantos peitos!
Então, até de hoje oito.




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