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Sobre «As Convertidas» e um Museu de Cultura Popular

Gostava de participar publicamente neste debate que se instalou sobre o edifício denominado «As Convertidas» e a sua potencial recuperação para o desejado Museu da Cultura Popular do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio. O edifício da Avenida Central tem o premonitório nome de «Convertidas» e agora todo o seu futuro dependerá desse nome e das representações arquitetónicas e patrimoniais que integra e que sugere. Quais sejam? Museu? Obra social? Pousada da Juventude? Não pugno por nenhuma destas soluções antes de compreender toda a memória que aquele edifício acumulou, mas no imediato, além das obras de securitização do edificado, defendo a urgente recuperação da igreja que inclui e a sua devolução ao uso eclesial ou religioso, em todas as dimensões que este uso requer ou possa vir a ter.

José Hermínio da Costa Machado
11 Dez 2012

Já quanto a ser pousada, recuso-me a considerar essa hipótese antes de conhecer os meandros políticos locais da previsível falência da actual pousada da juventude sita em Santa Margarida e da consideração e estudo de uma nova pousada em S. Frutuoso, acto de gestão autárquica que deve ter sido devidamente ponderado. Quanto a ser Museu do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio eu considero que esta pretensão tem melhor espaço para se concretizar, precisamente o edifício da atual sede do Inatel. Nada me move contra o Inatel, mas creio serem legítimas as memórias da instalação do Grupo naquele espaço sob as condições da boa relação institucional. Os serviços do Inatel, quanto a mim, merecem novas instalações, em espaços da cidade mais potenciadores e mais abrangentes das valências que hoje aquela instituição pode levar a cabo.
O edifício do Inatel reúne, nesta fase, capacidades para instalação central de um museu do imaginário popular e tradicional. E para serviços de exposição pública, organização de escolas de música e de dança, implementação de oficinas do traje e de artesanato, integração de componentes virtuais e eventualmente extensão a grupos de criatividade folclórica diferenciada, tem dimensões suficientes e capacidades de extensão. Além do mais tem o formato de casa, com a respetiva memória histórica, familiar e institucional.
Esta ideia contemporânea de aconchegar associações a edifícios públicos, por simples empréstimo, por alocação ou por venda, não deve ser considerada nem negócio nem favor. Trata-se de viabilizar projetos que podem e devem ser rentáveis para todos e rentáveis não quer só dizer em termos virtuais ou de animação, quer dizer também em termos de proveitos materiais. Além de que esta pretensão da criação de um museu de arte ou cultura popular já tem caminho feito em outros lugares, possui bibliografia e documentação de apoio, tem tradição de reflexão institucional, não é área de experimentalismo.
Dir-se-á que a consumada recuperação do edifício da estação dos caminhos-de-ferro poderá albergar grupos folclóricos. Fui ver e não fiquei convencido, a recuperação não foi pensada para essa finalidade; haverá, por certo, outras vantagens a tirar de toda aquela produção de gabinetes.
Há nesta cidade grupos ou associações com provas dadas na área cultural e patrimonial, como é o caso do Orfeão de Braga e do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio, o primeiro ainda sem instalações condignas e o segundo a ser encaminhado para o mesmo estado de insatisfação, posto que a recente animosidade contra si levantada pelo Inatel, havendo um prazo para sair dali, apressou o debate sobre uma solução que não requeresse longo tempo de preparação. Com isto quero dizer que, a ter de esperar, se deveriam estabelecer de novo as boas relações de coabitação entre o Grupo e o Inatel dada a generosidade de espaços que a Casa tem.  O «despejo» do grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio das instalações do Inatel é um acto de lesa-cultura, a precisar de conversão urgente.




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