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Orgulhosamente sós

A esquerda portuguesa anda com medo. Medo ou mesmo pavor. Entende e bem que se a Europa despertar dos seus egoísmos e pressupostos de lucro a qualquer custo, e se virar para uma solidariedade maior do que a que tem tido, pode aliviar os países intervencionados da pressão económica a que têm estado sujeitos. E isso era o triunfo da Europa solidária e com ele o triunfo do atual governo. Tal pode vir a acontecer por imperativos de sobrevivência de coesão europeia, anseio primeiro e prioritário que não norteada por valores altruístas; antes que tal aconteça é preciso fazer cair o governo de Passos Coelho não vá ele sair da crise e apresentar-se em 2015 como reformista salvador da pátria lusa, pensa apreensiva a esquerda.

Paulo Fafe
10 Dez 2012

E é isto no fundo o que está a preocupá-los; é isto que preocupa Mário Soares e quejandos porque, na sua matreirice de político velho, já percebeu que o triunfo da EU é simultaneamente o triunfo de Passos Coelho; é o triunfo da direita em Portugal. Não a perpetuação mas o domínio a largo prazo. Também, nesta matriz de pensamento, faz cálculos e matuta o PCP, o irmão colaço do PS que percebe muito bem que o atual governo está no fio da navalha mas que pode muito bem aguentar-se, se a Europa deitar a mão de uma maneira solidária aos países em dificuldades e a Portugal também como é evidente. Quem segura a Grécia, bem pode com Portugal. E porque assim o percebe a esquerda, é que querem derrubar a atual coligação; querem criar uma crise política, querem um novo governo de esquerda, indiferentes ao mal que isso possa trazer ao país e aos portugueses; para eles comunistas e alguns socialistas saudosos das arruadas, acima de tudo, e de todas as pessoas, está a sua ideologia a que chamam de convicções; delas não abdicam por coisa nenhuma. O medo é visível e tomou foros de urgência principalmente a partir da constatação de três indicadores palpáveis: o de estarmos a exportar mais do que a importar – o que indica que estamos a comer finalmente às nossas custas e não a comer fiado – o da aplicação de 10% da taxa de IRC às novas empresas tornando Portugal um país atrativo para investimento e a redução de 11 para 6 por cento da dívida nacional.  Estes três dados deixam a esquerda preocupada porque para eles o melhor é o pior; é evidente que só poderemos melhorar o atual flagelo do desemprego se os tais 10% trouxerem investimento que produza recuperação económica tão desejada. Com a levada cheia, o meu rego também trará água. Mas faltam outras componentes para tornar o investimento atrativo: justiça célere, burocracia mínima, leis laborais adequadas ao espírito europeu e estabilidade política. Nestes tempos mais próximos novas eleições soariam como facadas aos olhos dos sacrificados portugueses; estão a aguentar e uma marcha à ré seria sentida como traição. Nenhuns investidores portugueses ou estrangeiros, principalmente estes, investiriam em Portugal com um governo de esquerda ou instabilidade política. Ainda que do outro lado da estrada, ficaríamos orgulhosamente sós.




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