Fotografia:
Vida de vendaval

Foi esta semana que o mundo perdeu um vulto inigualável da arquitetura. Um revolucionário da arquitetura moderna que se inspirava na paisagem e na mulher brasileira para conseguir concretizar as suas ideias. “Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo. O universo curvo de Einestein.” Um arquiteto quando faz arquitetura o que quer dar às pessoas é beleza, a alegria da forma bela.

Leonor Pizarro
8 Dez 2012

A sua primeira obra reconhecida foi o conjunto arquitetónico da Pampulha do qual dizia que a Cidade de Brasília era a continuação. A cidade de Brasília foi um sonho, solidão e sofrimento. No interior do Brasil sem acessos, longe de tudo, criou uma cidade do nada. Planeou, projetou e construiu, dedicou-se aquela obra e ela marcou para sempre a sua carreira. Arquitetura é invenção, dizia, e Brasília é exemplo disso mesmo. A estrutura dos edifícios e espaços públicos era parte integrante e ao mesmo tempo complementar da arquitetura. Oscar Niemeyer dizia que quando as coisas nascem juntas, juntas devem completar-se. Quando a estutura estava pronta a arquitetura já estava lá. A Catedral de Brasília, Praça dos três poderes em Brasilia, Sambódromo do Rio de Janeiro, Sede do partido comunista em Paris, Museu de Niteroi são exemplos disso mesmo. Arquitetura simples, monumental e escultural em simultâneo. A estrutura do edifício era uma escultura e era o momento do nascimento do objeto de arquitetura.
Para Oscar Niemeyer mais que o projeto o importante era a explicação do projeto. Se não há argumentos para explicar o projeto há que voltar ao desenho até que este seja explicável sustentável na sua razão de ser. Ninguém entende arquitetura, os desenhos os pormenores. É pelo texto, pela explicação que qualquer pessoa se apaixona pela arquitetura.
Foi Prémio Leão de Ouro, Prémio Lenine, Prémio Pritzker mas o maior prémio foi sem dúvida o reconhecimento da sua dedicação à arquitetura.
Teve uma vida cheia. Cheia de sonhos, de lutas, de alegrias e tristezas. Como dizia em entrevista “A vida é chorar e rir, a vida inteira. Temos de aproveitar os momentos de tranquilidade e brincar um pouco. A vida é um sopro.” Em tom de balanço, a vida de Oscar foi mais que um sopro, foi um verdadeira vendaval!




Notícias relacionadas


Scroll Up