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Premiar o mérito desportivo e o sucesso escolar

Desde 2009 que a Universidade do Minho premeia os seus estudantes que obtêm resultados de mérito desportivo nacional e internacional e que ao mesmo tempo conseguem alcançar sucesso escolar durante o ano letivo. São premiados todos os estudantes que se sagrem campeões nacionais universitários ou que se classifiquem nas primeiras três posições nos campeonatos europeus ou mundiais universitários e que ao mesmo tempo tenham aproveitamento a pelo menos 50% dos créditos académicos.

Fernando Parente
7 Dez 2012

O prémio, uma “bolsa” financeira, que vai desde o valor total da propina anual (1.037,20€), no caso de uma medalha de ouro numa competição internacional, até 12,50% no caso do estudante vencer uma competição nacional universitária de um desporto de equipa. É o reconhecimento ao mérito desportivo e escolar, é a valorização da prática desportiva em contexto académico, é, no fundo, materializar uma das frases mais conhecidas no mundo do desporto “mens sana in corpore sano” (mente sã em corpo são).
No ano letivo a que se reporta esta homenagem (2011/2012), e que decorrerá amanhã na Universidade do Minho, dos 72 estudantes/atletas que alcançaram o critério desportivo, 46 tiveram um desempenho positivo nos estudos, o que representa 63% do universo em causa. Curiosamente, os dois atletas de Taekwondo, Rui Bragança do curso de Medicina e Mário Silva do Curso de Enfermagem, que se sagraram campeões europeus universitários nas suas categorias e que são atletas de topo a nível mundial, vão receber o prémio a 100%, dada a sua performance académica ter sido também positiva. De forma geral, os resultados são positivos e mostram-nos que é possível ter um elevado desempenho desportivo e ao mesmo tempo um percurso escolar sem grande turbulência.
Sabemos hoje que a prática desportiva no ensino superior faz parte de uma listagem identificada em vários estudos que influencia diretamente de forma positiva o rendimento escolar e a persistência académica. A prática desportiva é um fator de melhoria da autodisciplina, concentração, capacidade de comunicação e sociabilização, entre outras referências positivas que se encontram em grande parte dos trabalhos sobre esta temática. Quando estas características são passadas para o domínio académico, atingem-se elevados níveis de rendimento e sucesso escolar.
Demonstra-se claramente que a atividade desportiva não impede os estudantes de um bom desempenho académico global, nem tão pouco é inibidora destes participarem em mais atividades sociais com os colegas da Universidade. No entanto, também sabemos que existem estudos que mostram que a relação poderá não ser assim tão linear, nomeadamente quando se emprega excessivo tempo na atividade desportiva, estando este ligado a estágios prolongados de preparação desportiva fora do ambiente escolar. Estas questões podem afetar de forma negativa o rendimento escolar se não forem devidamente enquadradas. É neste ponto particular que os Estabelecimentos de Ensino Superior podem desenvolver um papel importante enquanto agentes de desenvolvimento de estratégias de motivação e promoção do desempenho desportivo e académico, nomeadamente em ações como a que decorrerá amanhã na Universidade. Amanhã mostra-se que todos ganham com uma aposta dupla nos estudos e no desporto, acautelando de forma consistente um dos instrumentos mais valiosos que uma pessoa pode ter, a formação académica.




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