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Pousadas

Ao jeito de epílogo de um ano em que Braga deveria ter ficado marcada pela Capital Europeia da Juventude, assiste-se na cidade à marcante confirmação de uma série de movimentos cívicos de jovens a favor de causas específicas, nomeadamente a favor da preservação do património. Favorecidos pelas redes socais e desligados de juventudes partidárias em que não se reveem, são a reivindicação de um reduto de cidadania que não é alienável. Acredito que são, realmente, agentes de uma mudança que a democracia não conseguiu ainda aportar a Braga. Têm a irreverência dinâmica da juventude, a responsabilidade de uma sólida formação e a aspiração genuína ao bem comum. São a lufada de ar fresco que movimenta a conformada asfixia silenciosa desta nossa augusta cidade cesária.

Tiago Varanda
7 Dez 2012

 “Reconverter as Convertidas” é uma dessas correntes de ar. O assunto toca-me. Se há dois anos defendi, neste mesmo espaço, a recuperação daquele edifício para casa de abrigo de vítimas de violência doméstica, (projeto agora em vias de concretização num outro espaço da cidade), há dois meses reforcei a necessidade de um amplo debate público sobre o salvamento daquelas traves, tendo agitado a hipótese do espaço se converter à consagração de todos nós, Povo de Braga, atento à volatilidade das manifestações culturais mais populares. Entre o museu de uma cidade que se faz há dois mil anos e a glorificação das gentes de um Minho que sempre foi demasiado pequeno para nos dar de comer e nos reenvia em diáspora.
Entretanto a peso das razões da irracionalidade económica sobrepesam-me a emoção. As mesmas que me inclinam a não concordar com a afetação das Convertidas a Pousada de Juventude. A racionalidade e sustentabilidade económica do projeto que ali se venha a realizar devem ser um fator incontornável no processo de decisão política. Não me parece que os bracarenses concordem em subsidiar com os seus impostos dormidas económicas em instalações que, e as Convertidas exigem-no, deverão ser de excelência. Talvez as histórias das vidas das mulheres Convertidas, corporizadas naquelas pedras, encerrem o potencial atrativo económico para um projeto hoteleiro de outra dimensão. Resolvidos os fantasmas do processo revolucionário, a conservação de um edifício de interesse público, para pública fruição, em compromisso com a exploração dos privados, poderia transformar um potencial sorvedouro numa fonte de receita pública para sossego, descanso e pousada dos bolsos tributados.
No final, na minha Real e Dume, agita-se a prestativa certa de uma promessa por cumprir. A Pousada de Juventude tarda-se no papel e excluiu-se do papel da Capital Europeia como obra emblemática. São fundadas as dúvidas sobre aquela localização para Pousada mas, enquanto centros populacionais tão antigos como a Braga de Augusto, aspiramos legitimamente ao nosso papel no concelho e à recuperação daquele espólio.
Depois de tudo isto, o Palacete dos Vilhena Coutinho (antigo tribunal) continua desventrado, central, acessível, economicamente racional, historicamente responsável, socialmente exigente. A pergunta será: por que não?




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