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Adeptos… da violência

(Este artigo foi escrito no meu blog pessoal no espaço que mediou as duas visitas do FCP a Braga).Factos noticiados em jornais nacionais e desportivos:

— «Os 30 adeptos russos do Spartak de Moscovo (…) foram detidos por desacatos e condenados a pagar uma multa de 1600 euros tendo ficado ainda proibidos de entrar em estádios durante dois anos. Os factos aconteceram antes do jogo com o SLB no Estádio da Luz a 7 de Novembro de 2012».
— «O Tribunal de Braga condenou três adeptos do Benfica a multas entre os 750 e os 1680 euros e proibiu-os de entrarem em recintos desportivos durante 16 meses, pelos desacatos provocados no Estádio Axa, em Maio de 2011».

Carlos Mangas
7 Dez 2012

No caso dos adeptos russos, menos de um mês passado sobre os desacatos, foram condenados a multa e interdição de frequentar recintos desportivos. Já os adeptos do SLB foram condenados a multa e 16 meses de interdição de entrada em recintos desportivos, 18 meses depois dos desacatos cometidos.
Os russos irão cumprir a pena no seu país? Pagaram a multa? Penso que não. Então para que serve a notícia? Para mostrar a celeridade da nossa justiça? Questiono-me também sobre o motivo da diferença de espaço temporal entre a penalização dos russos e dos portugueses, e a que medidas de coação terão estado sujeitos estes “meninos de coro” do SLB nos 18 meses que mediaram entre o acontecimento e o início de cumprimento da pena.
Recentemente, e em jogo para a Liga, o FCP veio jogar ao AXA. Numa zona onde estavam instalados apenas adeptos visitantes houve registo de petardos, incêndios, destruição de cadeiras, desacatos com as forças de segurança, etc. Que consequência para os prevaricadores? Até ao momento em que escrevo, desconheço-as. As únicas consequências que conheço foram transcritas nas redes sociais por alguns sócios do SCB ao assumirem que não irão assistir ao jogo da Taça de Portugal (com o mesmo adversário) por não se sentirem seguros e os atos de vandalismo de que foi alvo, por parte de adeptos portistas, a sede do Bairro da Misericórdia.
Todos sabemos que polícias à paisana são colocados no meio das claques. Muitos estádios em Portugal, desde o Euro-2004, têm câmaras de segurança que permitem identificar os arruaceiros. Que mais é necessário para evitar que semanalmente se repitam estes tumultos?
Nestes últimos anos, fui assistir a alguns jogos do SCB em Inglaterra (país outrora conhecido pelos hooliganismo dos seus adeptos) e senti-me mais seguro lá do que muitos adeptos do SCB no AXA, principalmente se os seus lugares são nas proximidades dos adeptos adversários.
Em Portugal, continuamos a ser um país de brandos costumes, onde os arruaceiros têm acesso e direito a tudo e as pessoas que vão ao estádio unicamente para assistir a um espetáculo desportivo e que até gostariam de levar a família, são “incentivados” por estes vândalos a ficar em casa para não terem problemas.
Caros decisores políticos e desportivos, se as nossas forças de segurança não começarem a atuar em conformidade nos recintos desportivos, a crise e a falta de euros não serão a causa principal da ausências das famílias dos estádios, mas sim estes “pseudo” adeptos dos clubes que na realidade são apenas e só adeptos da violência e conseguirão assim num futuro bem próximo, ter muito mais espaço disponível para dar largas aos seus “jogos de guerra”.

Parece que já ninguém se lembra do caso do very-light na final da Taça de Portugal entre o SCP e o SLB, das suas consequências e dos exemplos de cidadania que o autor, entretanto deu? É necessário que tal volte a acontecer?

Ps. Em face dos trágicos acontecimentos que antecederam o jogo da Taça de Portugal com o FCP, como eu gostaria de não ter tido razão antes do tempo.




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