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Livros sobre Braga…

Recentemente, levantou-se uma mini-polémica sobre os livros editados em (e sobre) Braga. Primeiro, a discussão navegou apenas na Internet; depois, acabou por desaguar nas páginas deste jornal. Pelo que pude constatar, foram seus autores, de um lado e do outro, pessoas que amam Braga tanto quanto os bons filhos amam suas mães. E não me restam dúvidas de que, em ambas as alas da “barricada”, houve razões de sobra para fundadamente arrazoar em prol das suas respetivas teses.

Victor Blanco de Vasconcellos
6 Dez 2012

Vejamos!
Por um lado, Braga é uma das cidades portuguesas que mais estudos possui sobre o seu património humano, material e imaterial. Negar isso, seria desconhecer os numerosíssimos ensaios que têm sido publicados sobre esse património, os mais deles saídos da pena de reputados especialistas. É verdade que a maioria desses estudos está dispersa por revistas ou volumes de caráter académico, “misturados” com ensaios relativos a assuntos de outra natureza. Mas isso, como é óbvio, não lhes retira a importância quantitativa nem qualitativa.
Por outro lado, também é inegável que, apesar do esforço que algumas entidades têm feito para contrariar a “situação”, não tem havido, em Braga, desde a “Revolução dos Cravos”, uma cultura editorial (devidamente estruturada e consolidada) que permita concluir ter esta cidade um espólio “autobibliográfico” de dimensão condizente com a sua grandeza histórica.
Pode concluir-se, por conseguinte, que não têm a razão toda aqueles que afirmam que em Braga pouco ou nada se tem publicado sobre a cidade – assim como desrazoável será dizer-se, perentoriamente, que em Braga muito se tem publicado sobre ela!
O que Braga não tem sabido aproveitar, promover e incentivar é, a meu ver, a qualificada “mão de obra” literária que possuiu e que ainda possui. Realmente, são naturais de (ou residem em) Braga muitos e bons escritores – alguns deles ainda jovens – que têm vindo a desfolhar o seu talento em campos tão vastos como a poesia, o romance, a novela e o conto. Mas não tem havido uma “política institucional” que os incentive a aplicarem o seu talento criativo em “assuntos” que incidam sobre a cidade ou que a tenham por “cenário”. E quando por “motu proprio” o fazem, raramente veem reconhecido o seu trabalho, nomeadamente através da promoção condigna das suas obras – ou através de incentivos que os levem a investir em produções literárias da região. Nesse aspeto, Braga ainda tem muito que aprender com outros concelhos (circunvizinhos…) bem mais pequenos, quer em dimensão patrimonial e cultural, quer em número de autores…
(A título meramente exemplificativo, veja-se como ainda em tempos recentes se deixou naufragar ingloriamente a Associação de Autores de Braga – que muito fez enquanto durou, mas que muito mais poderia ter feito pela cultura literária bracarense se tivesse sido mais apoiada, mais incentivada, mais promovida…).
Felizmente, Braga tem muita “matéria prima” – e excelente “mão de obra” capaz de a transformar num polo de referência cultural e literário. Mas isso não basta. Porque “não há romances sem romancistas”!




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