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A lei da moderação e do equilíbrio (I)

A lei da moderação acompanha-nos durante toda a vida. Ela é força e não fraqueza; exige autodomínio e autocontrolo. Viver com moderação significa seguir pelo “meio” tanto quanto possível. A lógica clássica assim o recomenda: “in medio virtus est”, ou seja, “no meio termo é que está a virtude”. Devemos evitar os extremos em tudo, para podermos caminhar seguramente. É o caso da alimentação, do trabalho ou do divertimento.

Artur Gonçalves Fernandes
6 Dez 2012

O excesso tem sempre consequências desagradáveis; tudo o que excede os limites da moderação tem uma base de instabilidade. Aprender a ser moderado é a essência do bom senso e da verdadeira sabedoria. No entanto, o homem, por ser inteligente, descobre processos e aperfeiçoa métodos de fuga à moderação e ao equilíbrio psicossomático. Que tristeza, angústia e pena nos causa o visionamento, pela manhã, da conspurcação dos passeios, mesmo junto aos prédios residenciais ou comerciais, provocada por uma amálgama de alimentos com álcool, ainda mal digeridos ou pouco destilados que foram regurgitados pela boca de pessoas que se excederam na ingurgitação de uma quantidade de bebidas brancas que o estômago não suportou! Isto para não falarmos da maculação de zonas mais recônditas de escolas, de casas em ruína ou abandonadas, de belos jardins, muitos dos quais fazem parte de áreas consideradas “ex-libris” da cidade de Braga e cuja conservação tanto dinheiro custa ao erário público. A talho de foice, recorde-se também a proliferação de montículos de excrementos caninos que, indiscriminadamente, são defecados nos passeios e nos jardins e que servem para engraxar a superfície inferior dos sapatos dos transeuntes mais distraí-dos ou apressados, disseminando-os ainda por extensas superfícies para serem recalcados por outros passantes.
O maior exemplo de equilíbrio e moderação é-nos dado pela própria Natureza. O universo inteiro atua em perfeito equilíbrio e harmonia em todas e cada uma das partes que o compõem. Há justamente o necessário de cada coisa para que o conjunto trabalhe em uníssono e com sucesso, seguindo as leis que lhe estão inerentes. Só quando a ação do homem intervém ou alguns dos seres planetários entram em forte degradação ou choque violento é que surgem os desequilíbrios que provocam catástrofes, mais ou menos, intensas e graves. É que, tal como nas nossas vidas, quando as circunstâncias são propícias a um extremo desequilibrador, o resultado é o caos. Assim como uma grande intensidade de chuva provoca cheias, uma ingestão desmedida e continuada de álcool destrói o cérebro e o fígado, abreviando a vida e antecipando prematuramente a morte. Do mesmo modo que um período excessivo de sol provoca uma seca, também um prazer físico em demasia origina uma depressão profunda.
Comer ou beber de mais, divertir-se ou jogar em excesso, trabalhar desalmadamente ou resmungar continuamente é tudo muito pernicioso. O lema de todos nós deve ser “moderação com regra e normas”. David Swing, numa conferência no Clube Literário de Chicago, encerrou a sua intervenção com estas palavras: “Para quase tudo excepto as nossas virtudes devia haver uma reprimenda: É de mais. A medicina diz que comemos de mais: outros dizem que bebemos de mais: os médicos dizem que medicamos de mais. O exagero tornou-se numa epidemia. Tudo é feito sob pressão. A vida tomou um ritmo de jass e a morte apressou o passo.” Este é um conselho que deve servir de orientação para a vida de cada um de nós. A moderação é uma das normas supremas de ordem moral: não comer até ficar embotado; não beber até ficar inebriado. Moderação é saúde, excesso é doença.




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